[[legacy_image_282013]] Depois de um encontro inicial em 30 de maio com o presidente da Bolívia, Luis Arce, a Petrobras acelerou a negociação com o país para aumentar a oferta de gás natural boliviano ao Brasil. Eventual acordo, pelo lado dos negócios, faz todo o sentido, mas os riscos precisam ser bem observados. Enquanto o produto brasileiro, abundante no pré-sal da Bacia de Santos, ainda depende de muito investimento em infraestrutura, o boliviano, que está sem demanda na América do Sul, possui gasoduto ocioso. Porém, negociar com a Bolívia exige superar o trauma de 2006, quando o então governo de Evo Morales nacionalizou a produção e aumentou o imposto, de forma unilateral, atropelando os contratos com as petroleiras, inclusive a Petrobras. Aliás, a brasileira, com US\$ 1 bilhão investidos na Bolívia, conforme reportagens da época, foi a petrolífera mais prejudicada. Desde então, as companhias estrangeiras passaram a evitar o país devido ao risco de ver seus negócios rompidos abruptamente. Com base nesse histórico, qualquer acerto precisará de garantias e compromissos, sem concessões que possam prejudicar o Brasil. Segundo especialistas, em consequência à insegurança gerada no mercado, a descoberta de reservas de gás boliviano praticamente ficou estagnada, enquanto a do Brasil avança devido ao gás ser extraído associado ao petróleo em águas profundas, na costa de São Paulo e Rio de Janeiro. Hoje, enquanto a Bolívia possui 11 trilhões de pés cúbicos em reservas, a Petrobras tem 10 trilhões no Brasil. Essa conversa da Petrobras com a Bolívia está inserida na mudança da política da estatal, sob o Governo Lula, de não centrar foco apenas no pré-sal, altamente lucrativo, mas que vai atingir sua fase madura a partir da próxima década. Por isso, convém à empresa buscar novas reservas, o que inclui se expor a riscos, como governos instáveis e possibilidade de não achar óleo. A Petrobras também pretende investir na Margem Equatorial, faixa do mar que vai do Amapá ao Rio Grande do Norte, sob forte questionamento ambiental, na Guiana e talvez na África. É importante que a empresa mantenha investimentos em gás natural. Apesar de ser um combustível fóssil, é mais limpo. A grande dificuldade para inseri-lo na economia é dar garantias ao consumidor, entre eles grandes indústrias, de que não haverá falta. Entretanto, a transição é difícil e nada barata. São necessários gasodutos e investimentos do setor privado para adaptar seus equipamentos para a nova matriz. As reservas não são um problema, porque há gás na Bolívia, Argentina (ainda depende da construção de dutos) e no pré-sal. No caso da costa brasileira, o uso do produto é importante porque, sem o devido consumo, ele precisa ser queimado na hora da extração do petróleo ou reinjetado no poço, riqueza que deixa de ser faturada pelo País. Considerando que a era do petróleo vai passar, o gás brasileiro não pode ser ignorado.