[[legacy_image_157391]] Há um debate que se trava em circuito nacional há anos, e para o qual até legislação específica já foi criada: a participação das mulheres em cargos eletivos, tanto para os legislativos como para os executivos. Embora elas representem mais de 52% do eleitorado brasileiro, ainda são minoria nesses cargos. Clique, assine A Tribuna por apenas R\$ 1,90 e ganhe centenas de benefícios! O estabelecimento de cotas eleitorais (lei que assegura uma porcentagem mínima de 30% e máxima de 70% à participação de determinado gênero em qualquer processo eleitoral vigente) pouco tem contribuído para melhorar a atuação e a chegada das mulheres aos cargos de governo no Brasil. Em 2018, foram eleitas 77 mulheres para a Câmara dos Deputados (15%). O número é pequeno, mas já representou um avanço em relação à eleição anterior, em 2014, quando foram eleitas 51 deputadas (10%). Para o Senado, foram eleitas sete mulheres. No total, a bancada feminina ficou com 12 representantes (14,8%), uma a menos que na legislatura anterior. Transportando esse debate para a Baixada Santista, dos nove executivos regionais, apenas um tem representação feminina, a prefeita de Praia Grande, Raquel Chini. Nos legislativos, dos 139 vereadores eleitos em 2020, apenas 11 são mulheres, o que representa menos de 10%. Alguns dirão que esse é um discurso vazio e vencido, tendo em vista que a presença feminina em outros segmentos acaba pressionando legislativos e executivos a formular leis e políticas públicas que contemplem as causas defendidas pelas mulheres. Não é bem assim, e os exemplos são vários. Um deles diz respeito ao decreto parlamentar que regulamenta vagões de trens e metrôs exclusivos para mulheres, implementados em virtude dos casos de assédio. Tal medida só foi possível porque a deputada Martha Rocha (PDT-RJ) pensou na questão da segurança enquanto mulher que usa o transporte público e, portanto, com uma necessidade de política pública diferenciada. Como essa, outras legislações e projetos saíram de parlamentares mulheres e se tornaram políticas públicas efetivas nos estados e municípios. Não é simples, às mulheres, abrir espaço no debate político e se fazer respeitar. O olhar de desconfiança e incredulidade parte de eleitores homens e das próprias mulheres, acostumadas que foram a acompanhar o público masculino ocupando cargos eletivos. A dificuldade também tangencia a jornada feminina na sociedade, que inclui a maternidade, a carreira profissional e os estudos. Mas dispor-se a esse caminho é algo imprescindível, necessário e urgente, ainda mais quando se atesta a existência de discursos sexistas e misóginos entre os próprios parlamentares, como no caso do deputado estadual Arthur do Val, o Mamãe Falei. Que nas eleições deste ano o Brasil possa vivenciar outras experiências e que, em 2023, legislativos e executivos estaduais tenham, ao menos em gênero, um pouco mais de diversidade.