[[legacy_image_175511]] A 23ª edição do Seminário Internacional de Café, realizado nesta semana em Guarujá pela Associação Comercial de Santos, deve ter sido a que trouxe maior injeção de ânimo ao mercado – ao menos nas últimas décadas. Se, por um lado, os produtores foram premiados pela disparada do preço, ainda que tenha caído recentemente, os torrefadores também comemoram o aumento do consumo mundial do grão, que resistiu à pandemia e parece ser um processo contínuo, incluindo novos mercados que se consolidam, como o sul-coreano. Clique, assine A Tribuna por apenas R\$ 1,90 e ganhe centenas de benefícios! Por trás do contexto de valorização da cotação, que é temporário e o que é normal, há a força do agronegócio brasileiro se manifestando também no segmento cafeeiro. O setor de café fez muitos investimentos em tecnologia e qualidade do grão e reduziu custos em um processo de longo prazo. Há avanços ainda mais acentuados em outras culturas, como a soja, ou no segmento de carnes, mas do lado da cafeicultura os riscos foram imensos. Desde a quebra de safras nas geadas, duas secas prolongadas desde 2015 e a competição acirrada do marketing colombiano e do preço baixo vietnamita. A resiliência e ambição do agronegócio, incluindo a cafeicultura, são exemplares para a economia brasileira e os gestores públicos. No País, a regra é a falta de planejamento ou sua descontinuidade, baixo investimento em infraestrutura, educação e pesquisa abandonados e desmanche de ideias bem construídas ou o abandono de regiões devido à decadência imposta pelas mudanças econômicas sem que se reaja a elas para encontrar alternativas. No caso do café, houve o risco do comodismo brasileiro da liderança mundial e da baixa produtividade. A Colômbia conquistou o mercado americano e o Vietnã ganhou espaço com preço baixo, enquanto pequenos produtores da África e América Central atingiram nichos de mercado. Mas desde a virada do século, a cafeicultura brasileira se reinventou e passou a cuidar mais da qualidade, um processo que começou em São Paulo com participação ativa dos profissionais do setor em Santos. No País, houve a disseminação da produção gourmet e o consumo do café premiado e mais caro virou uma febre, assim como se expandiram novas formas de consumo, como o espresso em casa e em cápsula. A expansão do agronegócio, que não pode ser associada só à abertura de novas fronteiras agrícolas pela soja, mas também pelo ganho de produtividade, se deve às pesquisas da Embrapa e de outros organismos, como o Instituto Agronômico de Campinas (IAC). Por isso, é inacreditável que a ciência esteja dão desprestigiada no País. Por outro lado, o empreendedorismo fez sua parte, assumindo riscos, e o Brasil, com suas dimensões, entra com uma vantagem incrível. Tem ganho de escala (mercado consumidor interno e grande para vários produtos) e terras para avançar, condições raras em outras nações concorrentes.