A parceria do Governo do Estado com o laboratório chinês Sinovac para incluir 9 mil voluntários paulistas na última fase de testes de uma vacina é um passo decisivo no combate à covid-19 no País, inclusive se houver uma temida segunda onda de infecção da doença. O governador João Doria anunciou, na quinta-feira, que o convênio permitirá não só ao Instituto Butantan comandar o lado brasileiro do projeto como ter acesso à imunização e à transferência de tecnologia para produção de doses em larga escala. Nesta empreitada, o Governo do Estado vai investir R\$ 85 milhões. Em um momento em que a ciência do País sofre baixas em pessoal e recursos, a notícia demonstra os impactos positivos que o investimento em conhecimento científico traz para a sociedade. O Instituto Butantan vai utilizar uma rede de 16 laboratórios para recrutar voluntários e a sinalização é de que a vacina esteja pronta para aplicação até junho do próximo ano. O que é animador é que a imunização chinesa é uma das dez em estágio de pesquisa mais avançado do mundo, sendo que a Organização Mundial de Saúde (OMS) contabiliza 133 em desenvolvimento simultâneo no mundo. A expectativa é que essa competição internacional, em especial entre chineses, americanos e europeus, será vantajosa para o mundo todo, em destaque para países de alta incidência e dificuldades de combate aos impactos do novo coronavírus, como o Brasil. O custo financeiro também será elevado devido à necessidade de vacinação em massa. De acordo com Doria, com a transferência do conhecimento, o Instituto Butantan poderá produzir 1 milhão de doses da vacina por dia, o que permitirá uma rápida cobertura no Estado e provavelmente no País. Não se deve duvidar da capacidade do laboratório estatal brasileiro, que já produz 80 milhões de doses da imunização contra gripe direcionadas ao Sistema Único de Saúde (SUS). Entretanto, caso o estudo não atinja seus objetivos ou seus resultados acabem demorando a sair, é provável que algum concorrente internacional tenha sucesso. Mesmo assim, é preciso se preparar para o imponderável e para cenários mais pessimistas, se é que possa haver algo pior do que se verifica atualmente no País, com mais de 843 mil casos identificados e 42 mil mortes provocadas pela covid-19, conforme balanço divulgado ontem. No começo do mês, o mercado financeiro mundial ficou eufórico com notícias de pesquisas adiantadas com vacinas no Hemisfério Norte, tamanho o impacto que uma imunização teria para a retomada das atividades econômicas em um nível confiável de relacionamento social. Nesta semana, as mesmas bolsas despencaram devido ao medo de uma segunda onda de contaminação pelo novo coronavírus. Como ainda se trata de uma doença nova – por exemplo, falta descobrir sua capacidade de mutação – os tempos continuam sendo de grande incerteza.