[[legacy_image_215071]] Importante pesquisa foi divulgada dias atrás pelo Semesp, entidade que reúne as instituições particulares de ensino superior do País, apontando para o preocupante déficit de professores que atinge todas as etapas da educação básica no País, podendo chegar a 235 mil até 2040. De acordo com o estudo, o número de calouros em cursos de licenciatura apresentou uma taxa de crescimento anual composta (CAGR) de 4,4% entre 2010 e 2020. Clique, assine A Tribuna por apenas R\$ 1,90 e ganhe centenas de benefícios! Os números falam por si. A tendência de que os cursos EaD ultrapassassem os presenciais se consolidou em 2016 e, na pandemia, a curva se acentuou ainda mais: em 2020, os ingressantes em aulas remotas já representavam 73% do total. Já o número de ingressantes em cursos presenciais de licenciatura diminuiu 37,6% na última década. Porém, o número de egressos/formados em cursos de licenciatura apresentou um crescimento de apenas 4,3%. Esse resultado é por conta da alta evasão em EaD, principalmente nos cursos de licenciatura. Em média, um a cada três alunos ingressantes na modalidade EaD não termina a graduação. Outro dado que chama atenção: entre 2010 e 2020, o número de calouros em licenciaturas cresceu 53,8%, porém, nos demais cursos, o crescimento foi de 76%. O Instituto Semesp fez projeções sobre a demanda de professores formados em 2040, considerando as taxas de natalidade e de crianças e jovens em idade escolar, e o resultado é um déficit de 235 mil docentes. Além do desinteresse dos jovens em ingressar na carreira de professor, o segmento lida com o envelhecimento dos atuais profissionais e a iminência da aposentadoria sem reposição. Os dados são alarmantes e o quadro já se faz sentir nos dias atuais, com as redes públicas precisando contratar docentes para disciplinas específicas entre profissionais de notório saber, e não aqueles formados nas respectivas licenciaturas. A situação se dá com mais intensidade entre os egressos em cursos de formação de professor de Biologia, Química, Educação Física e Letras, mas também atinge as áreas de História e Geografia. Entender os motivos que afastam os jovens ingressantes no Ensino Superior dos cursos de licenciatura é o ponto de partida para reverter esse prognóstico, mas empiricamente é possível intuir que baixos salários, carga horária elevada e pouco estímulo de ascensão na carreira são fatores preponderantes. No Brasil que emerge dos tempos pós-pandemia, já não se tem dúvida de que a Educação foi um dos setores mais afetados, e para o qual ao menos uma década de políticas públicas focadas na recuperação será necessária. Mais que investir em tecnologia, novas plataformas, melhor infraestrutura de escolas e salas de aula, será necessário aos futuros governantes do País e dos estados olhar para o professor, entender suas demandas e tornar a carreira novamente uma das mais atraentes.