Os números do emprego formal surpreenderam em abril no País. Segundo o Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), foram criadas 129,6 mil novas vagas, o melhor resultado para o mês desde 2013. Em março, porém, o resultado fora ruim, com perda de 43 mil postos de trabalho. No acumulado de 2019 o saldo é positivo, com mais 313.835 empregos com carteira assinada, aumento de 0,82% em relação ao mesmo período do ano anterior. Especialistas destacam que não houve surpresa no resultado de abril, uma vez que o mês é normalmente positivo para a geração de novas vagas. Ainda assim, a elevação de 12% em relação a abril de 2018 deve ser destacada, embora o País ainda esteja muito longe de resolver o drama do desemprego, que atinge cerca de 13 milhões de pessoas. Outro ponto a destacar é que, apesar da geração de empregos em abril, o salário médio de admissão, que foi de R\$ 1.584,51, teve queda de 1,32% em relação ao mesmo mês de 2018. As oscilações, mês a mês, traduzem incertezas que ainda persistem. A recuperação econômica segue lenta e os problemas políticos, expressos na difícil relação entre o Executivo e o Legislativo, especialmente quanto à aprovação da reforma da Previdência, diminuem a confiança de empresários e consumidores, com consequências negativas para os investimentos no setor produtivo. Na Baixada Santista, como ocorre há algum tempo, os números espelham a realidade nacional, mas o ritmo de criação de novas vagas formais é significativamente menor. O balanço do Caged aponta para saldo positivo de apenas 170 postos de trabalho com carteira assinada, menor do que o registrado um ano atrás (326 novas vagas). Em Santos, principal polo empregador da região, o resultado foi negativo, sendo que o estoque na cidade recuou 195 empregos. A comparação com o primeiro quadrimestre de 2018 revela quadro melhor: naquele período foram perdidas 1.442 vagas; neste ano o déficit foi menor, com 959 postos de trabalho a menos. Preocupa, porém, que o setor de serviços, que mais emprega na região, tenha eliminado 687 postos de trabalho. No acumulado do ano (janeiro a abril), os segmentos do comércio e de serviços foram os que apresentaram piores saldos regionais, com 1.688 e 1.123 vagas fechadas, respectivamente. Destaque-se que várias cidades, além de Santos - Bertioga, Guarujá, Mongaguá e Peruíbe – apresentaram números negativos no mês. Os resultados de abril são importantes, e há a expectativa nacional revelada pelo secretário de Produtividade do Ministério da Economia, Carlos da Costa, que o País continue gerando empregos formais nos próximos meses. Mas ainda é cedo para comemorar: a redução do desemprego no País -e principalmente na região-depende de reformas e ações efetivas.