[[legacy_image_108678]] Se as previsões do primeiro semestre para a subida do petróleo nesta segunda etapa do ano estão certeiras, o desempenho das commodities agrícolas (produtos cotados em bolsa) e minerais também continua exuberante para os produtores. Do lado do campo, desconsiderando a crise hídrica, os negócios vão muito bem, mas há perdedores – a indústria e o consumidor na ponta, quem sofre mais para pagar essa conta. E esse impacto precisa ser melhor acompanhado. Na parte dos alimentos, os programas de transferência de renda devem ser mais ágeis e abrangentes para a baixa renda, o que pode ser obtido por meio de iniciativas não só federais, mas também estaduais, municipais, da sociedade civil ou das empresas engajadas no social. Já as brigas entre o Palácio do Planalto e os governadores, no caso dos combustíveis, precisam terminar para se chegar a medidas atenuadoras sustentáveis. Clique e Assine A Tribuna por apenas R\$ 1,90 e ganhe acesso completo ao Portal e dezenas de descontos em lojas, restaurantes e serviços! Por outro lado, há uma espécie de clamor por medidas populistas dentro do próprio governo ou na oposição, ambos mirando as eleições, mas que o passado do País revela ter resultados pífios. Ou ainda existe a defesa de mais interferência nas tarifas públicas, pois estas também refletem a inflação. Entretanto, basta observar no Governo Dilma Rousseff, que agiu sobre os preços do petróleo e da energia elétrica, postergando uma recomposição de custos que destruiu o caixa e a capacidade de investimento das estatais, com reflexo para o próprio consumidor. Até agora há pouco a fazer contra essa onda mundial de preços caros dos alimentos e dos minerais, a não ser lutar por todos meios para ampliar a oferta, uma forma de segurar abusos de preços, inclusive estimulando a importação, aliás limitada pelas dificuldades parecidas nos outros países. No meio alimentício, os preços da Bolsa de Chicago em setembro, segundo o jornal Valor, são ascendentes para o milho e a soja, base das rações animais, portanto, refletindo nos custos das carnes. O trigo também está em alta e, além de ser importado em sua maioria, puxa a inflação de pães, bolos e massas. Até o café arábica segue sua escalada – já são 11 meses seguidos de valorização. Os aumentos também são acentuados no açúcar demerara, no suco de laranja e no algodão. Durante a pandemia, os governos das grandes economias despejaram recursos para estimular o consumo, gerando um descasamento com a produção, insuficiente e atrasada pelo isolamento social. Talvez o próprio esfriamento do crescimento das potências retire a pressão sobre as commodities e os preços caiam ou, pelo menos, se desacelerem, mas não dá para saber quando esse reequilíbrio virá. O papel dos governos é essencial para não provocar um desequilíbrio desnecessário. O vigor do agronegócio atrai divisas para o País, porém, o consumo precisa voltar para sustentar a retomada. Não é hora da classe política e dos governantes investirem em aventuras sem resultados práticos.