[[legacy_image_234513]] Com um ministério com 37 titulares, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva dá início hoje a seu governo com espaço a partidos aliados e o Centrão. O PT levou 11 pastas, enquanto MDB, PSD, PSB e União Brasil ocuparam três cada, e PDT, PCdoB, Rede e PSOL uma por legenda. As dez restantes são de ministros sem filiação ou indicação partidária. A aliança mais ampla reflete o fortalecimento do Legislativo e a experiência do impeachment de Dilma Rousseff, que mostrou a importância de ter base firme no Parlamento. Clique, assine A Tribuna por apenas R\$ 1,90 e ganhe centenas de benefícios! Na ponta do lápis, mesmo assim Lula não consegue, apenas com esse apoio, aprovar emendas constitucionais, que exigem dois terços dos parlamentares. Os partidos que são declaradamente governistas formam 43% da Câmara e entre 53% e 58% no Senado, lembrando que o União Brasil se declarou independente e, apesar do nome, dificilmente estará coeso com o Palácio do Planalto. Com uma base tão diversificada e ministros que poderão ser adversários na próxima eleição presidencial – como Fernando Haddad (PT), na Fazenda, e Simone Tebet (MDB), no Planejamento –, fica para Lula o desafio da eficiência na gestão com um ministério tão grande. Só o tempo dirá se o presidente conseguirá administrar uma equipe com tantos ministros. No início do governo, o petista tem o bônus eleitoral, o período em que há uma boa vontade do Parlamento concedida ao vencedor das eleições. Porém, essa fase depende da satisfação da população e do momento econômico. Já na largada, a Proposta de Emenda Constitucional (PEC) da Transição garantiu o pagamento mensal de R\$ 600 do Bolsa Família mais R\$ 150 por criança, atendendo a baixa renda. Com o tempo virão cobranças, conforme o que foi prometido na campanha, como melhorar a oferta de emprego, estimular a renegociação das dívidas da população, aumentar o salário mínimo e corrigir a tabela do Imposto de Renda, entre outras iniciativas da saúde, educação e segurança pública. São medidas que dificilmente serão cumpridas na primeira metade do mandato, considerando as contas públicas e a promessa de Haddad de cortar gastos. Paralelamente aos desafios de gestão, o ministério de Lula é inovador pela representatividade, com 11 ministras, incluindo uma líder indígena, Sonia Guajajara (PSOL), na inédita pasta de Povos Originários. Márcio França (PSB) representará a Baixada Santista como titular de Portos e Aeroportos, aliás, duas áreas de interesse econômico para a própria região. Não há empresários na equipe – com recusas a convites, Lula escolheu o vice, Geraldo Alckmin, para Indústria e Comércio. A polarização política continua e é previsível que permaneçam resistências e desconfianças, mas o novo governo precisa seguir adiante, trabalhando de forma séria, preservando as contas públicas e sem populismo com vistas às próximas eleições.