[[legacy_image_260555]] Admiráveis as cidades, estados e países que mantêm ativas e válidas agendas que preveem obras e serviços para quatro ou cinco décadas à frente, e perseguem o cumprimento do que foi proposto com obstinação, independentemente de troca de governos ou partidos políticos. Em geral, são medidas lançadas para o futuro com base em curvas de comportamento, previsão de crescimento ou redução populacional, novas tecnologias e demandas que esses novos perfis de cidadãos vão apresentar. A questão da mobilidade urbana é uma das mais relevantes quando se projeta para décadas à frente o uso do território urbano e o ir e vir dos cidadãos. Clique, assine A Tribuna por apenas R\$ 1,90 e ganhe centenas de benefícios! Nesse contexto, reveste-se de especial atenção a proposta, já antiga, de planejar e propor uma terceira ligação entre o Planalto e a Baixada Santista, ainda mais em um contexto já presente de fluxo maior de turistas e aumento na movimentação de cargas de e para o Porto de Santos. Ainda que o Sistema Anchieta-Imigrantes possa ser manejado de forma a dar maior fluidez ao trânsito, o dia a dia tem provado que a saturação é iminente, não por responsabilidade de poder público ou privado, mas pela própria limitação espacial das dez pistas que compõem o sistema: quatro da Via Anchieta, seis da Imigrantes. O Governo do Estado tem dado mostras de que a obra está no radar dessa gestão, liderada pelo ex-ministro Tarcísio de Freitas, e há vários caminhos para que essa terceira via seja feita: a partir de Suzano, ligando o Rodoanel Leste e as Vias Dutra e Ayrton Senna ao Sistema Anchieta-Imigrantes; outra que seria uma via paralela às atuais Anchieta e Imigrantes, talvez executada pela própria concessionária que já atua nas duas estradas. Qualquer que seja o caminho, sabe-se que obra dessa envergadura demanda muito mais que boa vontade por parte dos governos locais, do Estado e do próprio setor empresarial. Planejar o futuro, nesse caso, significa pensar em formato, projeto executivo, licenças ambientais com eventual compensação pela supressão de mata, necessidade ou não de desapropriação de imóveis, que público se pretende atender e, fundamentalmente, de onde virão os recursos. Além disso, imprescindível agregar a esse projeto todas as demais obras necessárias para dar conta do fluxo maior de carros e caminhões que para a região se deslocarão. Obras complementares, portanto, são imprescindíveis. Tratar de uma terceira ligação entre o Planalto e a Baixada Santista não é apenas cuidar para que a mobilidade entre as duas regiões fique garantida no futuro. É, acima de tudo, resolver conflitos que já hoje são sentidos e que poderão se intensificar se uma ação nesse sentido não for tomada agora. Mesmo fora de temporada ou em finais de semana prolongados, o tempo gasto para subir ou descer provoca transtornos aos motoristas. Se imaginarmos que uma obra assim poderá demandar até uma década, as providências precisam começar a ser tomadas agora.