[[legacy_image_260670]] A semana que se encerrou foi marcada pelo embate desencadeado pelo Governo Federal com o Twitter para remoção de conteúdos considerados inadequados e que incitam o ódio e a violência, especialmente no ambiente escolar. O Brasil tem vivido, nas últimas três semanas, uma onda de pânico dentro das escolas, com a exacerbação de grupos extremistas que pregam a violência, incitam os discursos de ódio e propagam informações falsas em rendes sociais, deixando um rastro de incertezas e medo entre pais e professores. A Baixada Santista também vivenciou essa experiência, o que fez com que as prefeituras locais anunciassem uma série de medidas de reforço no policiamento interno e externo. Clique, assine A Tribuna por apenas R\$ 1,90 e ganhe centenas de benefícios! Está prevista para este início de semana a entrega, ao Ministério da Justiça e Segurança Pública, de um documento elaborado por pesquisadores da Universidade de São Paulo (USP) em que traçam a forma como grupos de ódio se articulam nas redes e quais medidas podem ser tomadas para evitar a escalada de violência. Entre outros itens contidos no relatório de 40 páginas, o que será entregue ao ministério indica quais seriam alguns dos “perfis âncoras” que acumulam o maior número de interações nas redes e, desse modo, têm potencial para influenciar mais pessoas. O potencial de influência desses grupos no comportamento de adolescentes e jovens é o ponto-chave de uma análise que precisa ser feita de forma urgente: a incapacidade que o público mais jovem tem de identificar perfis falsos, ameaçadores, que radicalizam as posições, potencializam os fatos e estimulam a tomada de ações impensadas contra escolas, locais de grande concentração, grupos específicos e nas próprias redes das quais participam. Formar esse público para saber discernir valores, identificar desvios e não se deixar levar pelos discursos que estimulam o preconceito, o ataque às minorias, a intolerância e o ódio é a tarefa prioritária da Educação, ao lado da formação clássica dos ensinos Fundamental e Médio. Crianças e adolescentes não têm maturidade nem vivência suficientes para fazer essa distinção e, assim como em outros campos da formação de vida, precisam ser introduzidos a esse universo. A ampliação das fontes de informação, o fácil acesso a toda sorte de conteúdos, a facilidade que se tem de criar e manejar redes sociais e até mesmo as ferramentas tutoriais que transformam esse conhecimento em ‘brincadeira de criança’ colocaram sob vulnerabilidade um público que ainda está em formação, presa fácil em um mundo de subculturas, cujo ambiente ainda não está suficientemente regulamentado e vigiado. Inserir esses conteúdos na grade curricular da educação básica é tarefa urgente, assim como formar professores e multiplicadores para disseminar esse conhecimento. Há, hoje, entidades e movimentos nacionais já movidos por esse foco, para o qual não há tempo a perder.