[[legacy_image_329188]] O Nova Indústria Brasil, plano do Governo Lula para reinventar o setor no País e tirá-lo de sua rota de decadência, falha por depender de recursos públicos em um momento de aumento preocupante do déficit federal. Entretanto, algo precisava ser feito, indicando caminhos para os quais o empresariado poderá direcionar seus projetos. A crítica que se faz é ao estímulo via crédito ofertado por instituição estatal, o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), que por sua tradição atende basicamente a grande empresa. O ideal seria atrair o sistema bancário privado, até porque o capital público é limitado. Os R\$ 300 bilhões (R\$ 60 bilhões) previstos pelo Nova Indústria em financiamento e subsídios parecem ser um belo orçamento, mas são pouco se comparado com o que outras economias e blocos pretendem gastar com suas políticas de repatriação de indústrias – Estados Unidos, União Europeia e Japão planejam destinar mais de US\$ 1,5 trilhão cada. O programa tem acertos, sendo o principal estimular a transição energética, com a troca dos combustíveis fósseis por fontes renováveis, que muitos se esquecem que também envolve uma matriz velha conhecida dos brasileiros, o etanol. Na mudança de um sistema de produção por outro moderno, de início há a barreira do custo, que é alto até que se ganhe escala e por meio da oferta e procura se garanta um preço acessível ao cidadão comum e empresas de menor porte. Por isso, o empurrão do Estado costuma ser necessário no começo, desde que haja um bom motivo – e hoje com certeza isso existe, que é a proteção ao meio ambiente e o esforço para reduzir a emissão de gases que aquecem o planeta. A iniciativa do governo tem outros acertos, como incentivar setores industriais, que perderam participação na competição mundial ou não souberam aproveitar seus avanços com as novas tecnologias, como o farmacêutico, o químico e a defesa. Caso essas e outras áreas se reinventem, haverá geração de empregos de valor agregado e muita arrecadação de impostos, com redução do déficit do País na balança comercial de muitos segmentos. O crédito é o ponto sensível das indústrias para que elas possam modernizar seus sistemas, vendendo mais barato que seus concorrentes internacionais e produzindo mais por trabalhador contratado. Para isso, também é necessário melhorar a formação educacional de base e ampliar o acesso ao ensino técnico, permitindo aos jovens pobres ingressarem mais rapidamente no mercado de trabalho com salários atraentes. Por outro lado, a economia precisa ser mais estável, com juros e inflação comportados, o que depende de um Estado menos gastador. Aumento das despesas públicas e rombos contínuos forçam a subida dos juros para o governo se financiar, tirando capital que circularia na economia. São mudanças estruturais de longo prazo, mas que não podem ser postergadas.