[[legacy_image_171685]] A manutenção do patrimônio histórico nem sempre foi rubrica permanente e fixada nos orçamentos públicos municipais. Fica sempre na dependência de recursos provenientes de emendas, programas federais, parcerias com o setor privado ou, ainda, de linhas de financiamento a fundo perdido de organismos internacionais ou fundações que militam nessa área. Clique, assine A Tribuna por apenas R\$ 1,90 e ganhe centenas de benefícios! Entre garantir à população serviços de saúde, educação, segurança e assistência social, construir habitações populares e melhorar a mobilidade urbana, é compreensível que cuidar de imóveis antigos não seja prioridade zero no ranking dos orçamentos ou programas de governo. Porém, também é sensato dizer que, em alguns casos, o tempo decorrido da não-manutenção e a falta de planejamento acabam encarecendo fortemente qualquer projeto de recuperação - às vezes, até inviabilizando sua execução por completo. Santos tem exemplos assim, tanto de locais onde a recuperação e revitalização já se tornaram praticamente inexequíveis, como de imóveis apenas parcialmente degradados, onde ainda é possível dedicar tempo e esforço público para dar-lhes nova utilidade. A Escola Acácio de Paula Leite Sampaio, no bairro Vila Nova, em Santos, é exemplo do segundo grupo, quando ainda é possível recuperar sem onerar tanto os cofres públicos. A escola fica em um das regiões mais carentes de espaços públicos para lazer, cultura e entretenimento, mas no próximo ano completará dez anos de fechamento. A Prefeitura encerrou os tradicionais cursos da unidade e transferiu sua posse para o Centro Paula Souza com o propósito de ali ser criada uma escola técnica, que nunca saiu do papel. O prédio voltou para o guarda-chuva da Prefeitura que, em 2019, o transferiu para a Câmara de Santos, que ali instalaria sua TV e Escola do Legislativo, duas excelentes iniciativas, mas que ainda não decolaram naquela local. O atual presidente, Adilson Junior (PP), anuncia a retomada do propósito e iminente lançamento de edital para reforma. Que nenhuma outra pedra seja colocada nesse caminho. Pior situação está a antiga Hospedaria dos Imigrantes, também no bairro Vila Nova, cujas ruínas evidenciam o tempo decorrido de abandono e descaso. O atual governo municipal chegou a anunciar proposta interessante, de manter as paredes como estão e estruturar o restante do imóvel para servir de cenário cenográfico e espaços para cultura, lazer, café e outros atrativos relacionados. Era uma ideia exequível e mais econômica que as anteriores, de recuperação total de estruturas, reposição de telhados e paredes, praticamente inviabilizando sua efetivação. Cuidar do patrimônio de uma cidade não é tarefa fácil ou barata, mas é preciso colocá-la como lição de casa permanente e necessária. Em uma cidade turística e histórica como Santos, manter esses espaços minimamente cuidados e em funcionamento é cartão-postal dos mais valiosos.