[[legacy_image_230807]] Os quase dez anos de portas fechadas da antiga Escola Acácio de Paula Leite Sampaio não representam apenas o tempo perdido na ocupação de um espaço. Instalada na Rua Sete de Setembro, 14, esquina com duas das principais vias da região central - Avenida Senador Feijó e Rua Braz Cubas -, a escola nasceu para profissionalizar jovens em cursos técnicos voltados a Contabilidade e serviços portuários, e também para formar professores no então Magistério. De 1967, quando foi entregue ao então prefeito Silvio Fernandes Lopes, a 2013, quando teve suas portas fechadas pelo então chefe do Executivo Paulo Alexandre Barbosa, centenas de gerações de jovens saíram dali formados para o mercado de trabalho - e há um consenso de que o corpo docente e a linha pedagógica eram da mais alta qualidade. Clique, assine A Tribuna por apenas R\$ 1,90 e ganhe centenas de benefícios! Há dois pontos de análise imprescindível sobre os quase dez anos de inoperância. O primeiro diz respeito ao valor arquitetônico daquele prédio, projetado por um dos profissionais mais renomados do País naqueles anos 70, 80 e 90: Décio Tozzi, que levou o nome da Cidade a um reconhecimento mundial com sua obra, considerada icônica e revolucionária por trabalhar apenas com a brutalidade do concreto em todos os três pavimentos, pensando em iluminação, ventilação e sintonia com o Município. O outro aspecto conversa mais de perto com o bairro onde a escola está localizada: a Vila Nova, que, ao lado da Vila Mathias e Paquetá, forma conjunto urbano de grande valor histórico, nobre até meados do século passado, mas hoje povoado predominantemente por comércio, serviços e grande quantidade de cortiços, onde centenas de jovens e crianças carecem de oportunidades de lazer, cultura e profissionalização. A Acácio poderia acolher um sem-número de atividades voltadas a esse público, mas se tornou mais um espaço vazio e obsoleto, ao lado de outros localizados no mesmo perímetro, como o Parque Tecnológico, construído há dois anos e ainda sem funções definidas. A Câmara de Santos, proprietária do imóvel desde 2019, prevê a instalação, no futuro, de cursos da Escola do Legislativo, e também a utilização para atividades parlamentares, ocupando parte das salas de aula para audiências e eventos. Serão usos bem dados aquele prédio; porém, ao longo dos últimos nove anos, não faltaram oportunidades para devolver à Acácio o protagonismo educacional que teve. Basta lembrar a recente transferência de cursos da Unifesp para a Rua XV de Novembro, e a ocupação de alunos do Senai em outro imóvel alugado naquela região, enquanto não se constrói nova unidade na Ponta da Praia. A Acácio serviria bem para cumprir esse papel. Sairá, em breve, novo edital para estimar o valor da obra de recuperação e restauro. Mais quanto tempo até que seja concluída? Que ao menos a Câmara mantenha essa tarefa no radar, para que a icônica construção não seja mais um elefante branco da Cidade, sem uso e sem vida.