[[legacy_image_128099]] A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) age corretamente ao recomendar ao governo exigir a vacinação contra a covid-19 ou quarentena de cinco dias de não imunizados, referindo-se aos viajantes que chegam ao País – até o momento, a medida não foi sacramentada pelo Executivo federal. A prudência é o melhor caminho, lembrando que o órgão não exigiu fechamento de aeroportos, mas restrições para adiar a chegada de variantes. Clique, assine A Tribuna por apenas R\$ 1,90 e ganhe centenas de benefícios! O centro do problema não está dentro do País, que segue com sua campanha de imunização de forma satisfatória, dia a dia ampliando a cobertura vacinal completa, bem diferente do verificado na Europa. Por lá, os países começaram mais cedo a aplicar suas doses e agora não conseguem manter em ascensão seus percentuais, geralmente abaixo dos 70% de vacinados. Mas há uma ressalva em relação ao Brasil. Se em São Paulo, já se superou a marca dos 74%, ou de 65% nos três estados do Sul e de 69% no Mato Grosso do Sul, nas demais unidades da federação ainda há muito a evoluir, como o baixíssimo resultado de 30% em Roraima ou mesmo 48% no Amazonas e 46% no Maranhão. São dados que indicam muita gente desprotegida em partes do País, portanto, vulneráveis ao ingresso de viajantes da Europa, onde há surtos da covid-19, ou da África do Sul, com detecção recente de nova variante do vírus, a ser batizada com codinome grego, como é o costume da Organização Mundial de Saúde (OMS). O que assustou a comunidade médica europeia é que o pesquisador brasileiro Túlio de Oliveira, responsável pelos dados dessa cepa sul-africana, a classificou de “horrível” e “muito diferente” e que carrega uma “constelação incomum de mutações”, segundo reportagem do site da BBC. A recomendação da Anvisa de haver rigor com viajantes é evitar que turistas não imunizados busquem o Brasil até por falta de restrições. Na Europa, com algumas exceções, a cobertura vacinal completa está estagnada na faixa de 65% a 72%. Até pelo comportamento antivacina, ainda muito forte na França e Alemanha e também na Rússia. Na Alemanha, há registro de 75 mil casos e 357 mortes por dia pela covid-19, bem pior, por exemplo, em relação a 6,6 mil infecções e três óbitos em 21 de agosto. O país tem 68% de imunizados, o que indica um percentual insuficiente para controlar a doença – deve-se lembrar que a disseminação da covid-19 é atribuída à variante Delta, que se espalha mais rapidamente. O quadro só não é mais trágico porque a imunização reduziu a incidência de casos mais graves e, em consequência, as internações. A expectativa é que os próprios governos estaduais tomem algumas medidas pontuais em relação a viajantes, mas o ideal seria uma decisão centralizada por uma questão de organização e para evitar um debate que tira o foco da questão sanitária. A esperança é que o Brasil não passe pela experiência atual da Europa, mas é preciso trabalhar para que o pior não ocorra.