[[legacy_image_130778]] Os impactos econômicos da pandemia dominaram as preocupações sobre a recuperação do Produto Interno Bruto (PIB). Finalmente o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) indicou que, no terceiro trimestre, o PIB, na comparação com o período imediatamente anterior, caiu 0,1%, depois de ter perdido 0,4% de abril a junho. Clique, assine A Tribuna por apenas R\$ 1,90 e ganhe centenas de benefícios! O mais curioso é que por trás dessa recessão técnica (dois trimestres seguidos de PIBs negativos) está o fenômeno climático, e não apenas a covid-19, mas lembrando que houve o efeito positivo da vacinação. Imunizados, os brasileiros frequentaram salões de beleza, restaurantes e consultórios médicos, tornando o setor de serviços o motor da recuperação. Se não fosse a aplicação das vacinas em larga escala, as atividades econômicas teriam um desempenho desastroso no País. Entretanto, o agronegócio sofreu com a falta de chuvas – caiu 8% em relação ao segundo trimestre e parou o PIB. Algumas culturas recuaram muito forte na comparação anual (e não sobre o trimestre anterior), como café (-22%), cana-de-açúcar (-7,6%), algodão (-17,5%), laranja (-13%) e milho (-16%), assim como a criação de bovinos. O impacto da seca no agronegócio ajuda a entender o risco que o País passou se houvesse racionamento, resultando em uma catástrofe na indústria, que ainda apanha pela falta de componentes, um desarranjo nos ciclos de produção causado pelos lockdowns desde 2020. A Fenabrave, entidade das concessionárias, revelou que o mês passado foi o pior novembro em 16 anos, com queda de 23% da venda de veículos em relação a igual período de 2020. Segundo analistas entrevistados pelo jornal O Estado de S. Paulo, o quarto trimestre será positivo em 0,2%, até porque a variante Ômicron, caso traga algum impacto negativo mais forte, isso virá nas últimas semanas do ano. A expectativa é que o Brasil crescerá 4,7% neste ano, um bom percentual, mas sobre dados fraquíssimos de 2020. Apesar da empolgação sem razão do ministro da Economia, Paulo Guedes, é menos do que se esperava e abaixo dos principais pares mundiais. Como aparentemente a chuva deve continuar, a produção da soja, que se concentra no primeiro semestre, deverá recuperar o desempenho do agronegócio no começo do ano. Mas a previsão para 2022 não é animadora. A inflação pode até cair, mas não vai desaparecer. Já os juros altos serão terríveis contra a recuperação do PIB. Se por um lado o Auxílio Brasil poderá estimular o consumo das famílias, por outro o gasto do governo tende a manter a pressão do mercado por mais juros para sustentar um Estado perdulário. Além disso, a eleição deve manter pressão sobre o dólar, de potencial inflacionário, e o petróleo só vai ficar barato se a Ômicron esfriar a economia mundial, algo que também não ajuda. No final das contas, a torcida é para 2022 ser um ano menos ruim do que os analistas esperam.