[[legacy_image_89929]] Com fenômenos simultâneos em quase todos os continentes – calor extremo no Canadá, inundações na Europa e China e incêndios na Grécia e Turquia e muito frio na América do Sul, o relatório do Painel Intergovernamental de Mudanças Climáticas (IPCC em inglês) das Nações Unidas atraiu os olhares mundiais com maior facilidade. Mas só o tempo vai mostrar se o alerta terá atingido seus objetivos. O problema é que o estudo indica que o mundo está perto de chegar a um ponto irreversível das mudanças climáticas, com aumento da temperatura média em 1,5°C em até duas décadas e um impacto avassalador no regime de chuvas, com fenômenos climáticos cada vez mais intensos e um choque na produtividade de toda a economia e não só na agricultura. O IPCC reúne mais de 200 cientistas especializados no clima e seu papel é orientar os governos sobre o que fazer na área ambiental. Esse grupo foi instituído no final dos anos 1980, com uma importante produção científica, e boa parte da batalha do convencimento pela necessidade de agir já foi atingida. Mas a grande dificuldade tem sido partir para a prática. Apesar dos interesses diversos das nações, o planeta é um só e as medidas mais focadas no clima dependem de um acordo mundial. Essa é meta das COPs (Conferências das Partes, da sigla em inglês) das mudanças climáticas organizadas pelas Nações Unidas, em especial a de Paris, em 2015, que previa levar os países a investirem em iniciativas para impedir o aumento da temperatura global, mas sem sucesso até este momento. O esforço é por zerar a emissão de gases poluentes até meados deste século – portanto, apenas 30 anos, mas o problema são os reveses com governos extremistas da nova direita, relutantes em endossar tais tratados, ou a grande maioria que pouco realiza. Neste último relatório do IPCC, os cientistas se basearam em 14 mil estudos dos últimos três anos, estabelecendo os pontos para a COP26, de Glasgow, no Reino Unido, em novembro próximo. O IPCC destaca a ação humana por trás dos recordes de calor e tempestades mais agressivas, entre outros impactos, e aponta que a emissão de gás carbônico continua em nível crescente, o que é assustador. No caso do Brasil, apesar da intensa discussão sobre as mudanças climáticas e o registro de uma quantidade de fenômenos cada vez mais extremos, o imobilismo para aplicar medidas que possam levar a resultados no médio e longo prazos é decepcionante. Um exemplo é a lentidão com que as novas fontes de energia são adotadas no País em relação ao que acontece em outras nações do mundo, inclusive emergentes. O Brasil está muito defasado na disseminação do uso dos carros elétricos, que ainda não têm uma mínima infraestrutura para circularem. Os governos precisam ter políticas mais incisivas nessas áreas, mas também devem ser cobrados e fiscalizadas com mais vigor pelo Legislativo.