[[legacy_image_219415]] Além de ser escolhido para a coordenação da equipe de transição do novo governo, o vice-presidente eleito Geraldo Alckmin (PSB) poderá ocupar algum ministério de peso. Desta forma, o presidente eleito Luiz Inácio Lula da Silva (PT) consagra sua estratégia de se situar mais ao centro, sem ignorar seu programa de esquerda. Clique, assine A Tribuna por apenas R\$ 1,90 e ganhe centenas de benefícios! Depois de perder eleições, inclusive para o próprio Lula, e ficar sem espaço no PSDB após a ascensão de João Doria, Alckmin é o perfeito exemplo de que não se pode dizer na política que uma carreira está acabada. Sem rumo certo, ele iniciou um namoro com o ex-presidente, tendo o ex-ministro da Educação Fernando Haddad atuando como cupido. A aproximação gerou estranhamento, pois estamos em tempos de polarização, com ataques anteriores de Alckmin a Lula ganhando a propaganda eleitoral. Considerações à parte, o ex-governador recebeu o papel, como vice, de impedir que o próximo governo fique tão isolado à esquerda. Essa função, aliás, ainda terá que ser comprovada na prática, pois o fogo amigo e a disputa por espaço ao redor do chefe faz parte de qualquer governo e este não será diferente. Para a população e as empresas, o que interessa é que o ex-tucano e outros nomes de centro, como a ministeriável Simone Tebet (MDB-MS), uma figura de ascensão nacional, terão um papel importante de equilibrar a natureza ideológica deste governo. A presença do estado na vida do cidadão e das empresas se mostra muita acima do tolerável, com reflexo em gastos públicos e juros altos para manter uma máquina que não se sustenta apenas com os impostos que, aliás, tantos recursos retiram do consumo e dos investimentos. Em suas duas primeiras gestões, principalmente na de 2003-2006, Lula contrariou aposta do mercado e seguiu uma disciplina fiscal (com Dilma Rousseff, foi uma tragédia). Espera-se que a austeridade seja o ponto central de quem o ex-presidente escolherá para comandar o Ministério da Economia ou Fazenda. Aparentemente será, pois Henrique Meirelles, curinga dessa área em vários governos, está no radar e o próprio Alckmin teria sido o responsável por conseguir adesão do ex-ministro Pedro Malan e dos idealizadores do Plano Real para a frente que apoiou o petista. Todos esses nomes respiram a difícil, mas necessária política do zelo dos recursos públicos. Depois de uma campanha acirrada, o presidente eleito tem promessas difíceis de serem cumpridas, como reajustar a tabela do Imposto de Renda, manter o Auxílio Brasil em R\$ 600, aumentar o salário mínimo acima da inflação e subsidiar as mensalidades do ensino superior privado. São custos de muitas dezenas de bilhões de reais que devem exigir aumento de impostos (exceto se o País crescer mais rápido), uma possibilidade muito difícil de bancar frente a um Congresso à direita e liberal. Por isso, uma costura de centro será fundamental para aproximar os extremos nas votações importantes para o País.