[[legacy_image_201491]] Relatos de seca não são novidade, mas quando eles se referem a regiões diferentes do globo e são registrados em um mesmo momento, é preciso começar a se preocupar com o futuro do planeta já para o curto prazo. Nos Estados Unidos, segundo o site da CNN Brasil, a falta de chuva com calor intenso faz com que 37% dos agricultores destruam suas plantações porque elas não atingirão a maturidade para o plantio, enquanto 60% das planícies do sudoeste, sul e central passam por aridez severa. No Texas, pecuaristas vendem o gado mais cedo por falta de água e grama. Aliás, julho foi o terceiro mês mais quente da história dos EUA. Clique, assine A Tribuna por apenas R\$ 1,90 e ganhe centenas de benefícios! Na Europa, as temperaturas acima de 40 graus algumas semanas atrás espalharam incêndios pelo continente. Se na França faltou água nos reservatórios para produzir energia nas usinas hidrelétricas, a seca derrubou o Rio Danúbio para um de seus níveis mais baixos em um século, conforme o portal g1. Em um trecho da Sérvia, o Danúbio ficou tão raso que expôs dezenas de navios alemães afundados em 1944 pelos soviéticos. Mas o caso mais impressionante está no sudoeste da China, onde há a pior seca já registrada na província de Sichuan, segundo o jornal Valor. A falta de água causou cortes de energia em Sichuan, que tem 81 milhões de habitantes (em 2013) e uma área de 485 mil km2 (São Paulo tem 44 milhões em 248 mil km2) e é altamente dependente de hidrelétricas. O problema atinge uma região com dezenas de fornecedores ou fábricas próprias da Tesla, Saic Motors, Toyota, CATL (baterias) e Foxconn (Apple), interrompendo cadeias de produção. Já os moradores enfrentam a onda de calor sem poder ligar o ar-condicionado. Para amenizar a crise, o governo reativa usinas a carvão, oque tem reflexos ambientais. No Brasil, não há sinal de seca preocupante, apesar do clima abafado e de chuvas abaixo do esperado até a metade da semana passada na Bacia do Paraná, que compreende a Região Sul, parte do Centro Oeste, São Paulo e o Triângulo e Sul de Minas. Mas toda essa área tem passado de forma intrigante por regimes pluviais irregulares e secas se repetindo com intervalo de anos cada vez mais curto. Esse fenômeno comprometeu a confiança na matriz hidrelétrica, ressuscitando, por exemplo, os investimentos no complexo nuclear de Angra. Por outro lado, a insegurança energética estimulou o uso das modalidades renováveis, como a solar, que avançou 66% em um ano, contra 32% da hidráulica, conforme reportagem da Globonews. Cada país reage à seca conforme suas possibilidades, mas é preciso haver coordenação global mais eficaz para combater suas causas, principalmente a emissão de gases e a destruição do meio ambiente. Os impactos são evidentes e é preciso computar ainda os temporais cada vez mais violentos e inesperados, que no Brasil surpreendem os moradores das encostas. Se nada for feito, tragédias e crises econômicas se multiplicarão.