[[legacy_image_206745]] Faz quatro anos que um projeto-piloto, inovador e promissor, teve início na Ponta da Praia, uma tentativa de conter o impacto das ondas em dias de ressaca e maré alta. Batizado de Monitoramento do Projeto-Piloto Ponta da Praia e Mitigação dos Efeitos Erosivos da Praia-Santos, o projeto foi desenvolvido por pesquisadores da Unicamp por meio de convênio com a Prefeitura de Santos e recursos decorrentes do fundo que recebe multas de infrações ambientais. Clique, assine A Tribuna por apenas R\$ 1,90 e ganhe centenas de benefícios! Cinquenta sacos de areia foram distribuídos em forma de ‘L’ a 3,5 metros de profundidade, fazendo com que as ondas que chegam fortes na arrebentação percam energia e, portanto, impactem menos as muretas e, consequentemente, todas as demais estruturas como calçadas e avenida. É preciso reconhecer que, até aqui, é um projeto bem-sucedido: faz exatos sete anos que aquele trecho da orla santista viveu uma das mais fortes ressacas dos últimos anos, destruindo o calçamento, o Deck do Pescador, parte da avenida e dos jardins. A água invadiu garagens dos prédios próximos e destruiu veículos estacionados. Assim como as mudanças climáticas, projetos que têm o propósito de frear seus impactos não podem ficar parados no tempo. Precisam, minimamente, de acompanhamento constante, investimento perene e proximidade com a academia e os técnicos que planejaram sua implantação. O último relatório elaborado pelos pesquisadores da Unicamp sobre a performance dos geobags data de julho do ano passado, e mostra que houve, sim, um discreto ‘engordamento’ da faixa de areia naquele trecho,consequência direta da proteção feita pela barreira. Além disso, não foram registrados novos episódios de impacto como os de 2015. Porém, já naquele relatório são apontadas falhas que precisam ser equacionadas, como brechas abertas entre os geobags que podem prejudicar o propósito do projeto. e a necessidade de expandir a instalação de novos sacos em direção aos canais 6 e 5. É compreensível que a prioridade da Prefeitura de Santos, nos últimos dois anos, tenha sido o combate à pandemia e a atenção à saúde e economia local, porém, dados os resultados positivos obtidos com o projeto-piloto, sua continuidade e aprimoramento não deveriam ser colocados em segundo ou terceiro planos. Em ofício datado de agosto deste ano, a Prefeitura responde a indagação feita pelo vereador Carlos Teixeira Filho, e informa que não há recursos previstos no orçamento para dar andamento ao projeto. E que a parceria com a Unicamp segue até 2023. Os resultados obtidos e os caminhos apontados até aqui não podem ser desperdiçados. O projeto tem qualidade. Energia, recursos financeiros e humanos já foram empregados nesses quatro anos, então, é um conhecimento adquirido que pode e deve ser usado para resolver - ou mitigar - um problema crônico de cidades costeiras como Santos. Recuar nesse propósito não pode ser uma opção.