Se tudo caminhar conforme previsto pela Prefeitura de Santos e Governo do Estado, no final de 2022 a segunda fase do Veículo Leve sobre Trilhos deve entrar em funcionamento. São oito quilômetros de trajeto, entre a Avenida Afonso Pena e o Valongo, ida e volta. Entre as 14 novas estações projetadas, muitas no circuito da área central de Santos. São R\$ 217 milhões de investimentos e a oportunidade última para levar não só mobilidade aos milhares de trabalhadores que circulam dentro da cidade, como a chance de renovar a paisagem urbana da esvaziada área central, que poucos investimentos públicos têm recebido nesta gestão. A área central tem sido pauta de dezenas de projetos arquitetônicos, urbanísticos e econômicos, administração atrás de administração. Várias foram as iniciativas bem sucedidas de gestões passadas, especialmente com foco no Centro Histórico, a área compreendida entre Valongo e as proximidades do Coliseu. Nesse trecho, imóveis antigos e de valor histórico e arquitetônico foram recuperados, como a Bolsa Oficial de Café, o Outeiro de Santa Catarina e o próprio Coliseu. Além disso, criou-se uma ambiência para que bares e restaurantes se instalassem nas ruas do Comércio e XV de Novembro, e o Bonde Histórico teve seu trajeto e projeção ampliados. As iniciativas tiveram seu tempo de efetividade, mas agora não são mais suficientes para fixar o interesse dos empresários ou levar o público para o local. Os bairros da área central guardam condições para que ali se implante um sem-número de propostas: de habitações de interesse social a residências para universitários, de atrações culturais a polo gastronômico. Para isso, é preciso tirar as boas intenções da prancheta e focar nos resultados. Na geografia dessa grande área há ícones desprezados como símbolos ainda vivos de uma época glamurosa, como o Mercado Municipal, no bairro Vila Nova, uma das estações de parada da futura linha do VLT. A atual administração aposta nesse modal e no pacote de leis já criadas para estimular a implantação de negócios na área como forma de renovar e requalificar os espaços urbanos. Renovar não se limita a recuperar imóveis públicos ou pavimentar ruas e avenidas. Renovar significa dar vida nova e perene, descobrir novos atrativos e novas vocações para bairros esvaziados pelo tempo. No Brasil não faltam bons exemplos de que modelos assim podem dar certo. O desafio não é fácil, é fato, porque pressupõe despertar na iniciativa privada interesse em lugares antigos, em desuso de suas funções originais. Significa também convencer o público de que nesses espaços se respira história e, portanto, vale a pena frequentá-los depois da revitalizados. Mas buscar esses caminhos como política pública é a função das administrações, e não podem estar atreladas a este ou aquele governo. É uma questão de respeito à Cidade, sua história e seus espaços.