[[legacy_image_258106]] Tudo caminha para que o Ministério da Educação (MEC) suspenda o cronograma de implementação do novo Ensino Médio, um conjunto de mudanças aprovado em 2017 e válido para os três anos finais da Educação Básica. A reforma tem sido alvo de críticas de entidades estudantis e uma parte das entidades do setor, mas o Governo Lula não fala em suspendê-la, apenas em adiar uma parte do que estava inicialmente previsto, no caso, o formato do Enem, que já estaria diferente em 2024. Clique, assine A Tribuna por apenas R\$ 1,90 e ganhe centenas de benefícios! Pela proposta aprovada em 2017, cerca de 60% da carga horária passa a ser de conteúdos obrigatórios comuns a todos, como Português, Matemática e Química. O restante (40%) é a parte flexível, com matérias optativas segundo o interesse do aluno ou uma formação técnica. O jovem pode, por exemplo, fazer curso técnico, uma demanda crescente do mercado de trabalho. A previsão era de que a mudança deveria ser implementada nas escolas a partir de 2022, o que significa dizer que, neste ano, há turmas do novo Ensino Médio no 1º e no 2º ano. Mas havia a possibilidade de iniciar a transição antes, como foi o caso de São Paulo, que iniciou a oferta de percursos optativos em 2021. Entre os argumentos dos que defendem a revogação completa da reforma do Ensino Médio está a falta de debate quando de sua aprovação, ainda no Governo Temer. Esse segmento argumenta que a ideia não é voltar ao modelo antigo, mas rediscutir a mudança mais democraticamente. Importante destacar que estados que anteciparam a reforma para 2021 vêm enfrentando desafios, admitidos pelo próprio governo. Em São Paulo, são mais de 300 ofertas optativas escolhidas pelos alunos, o que dificulta a busca por profissionais em cada uma delas. Estudantes e professores reclamam que os itinerários formativos foram implementados de forma desorganizada, sem estrutura nas escolas nem preparo do corpo docente para dar aula dos mais variados temas. Por outro lado, professores e educadores dizem que as novas disciplinas não permitem o aprofundamento nas áreas de conhecimento e, na prática, ocupam o tempo na escola com atividades sem benefícios para a formação escolar, tirando conteúdos relevantes para a formação básica. Que existem problemas na implantação do novo Ensino Médio, não há dúvidas, mas considerando o tempo que mudanças na área da Educação demandam para fazer diferença no aprendizado, a saída não é retroceder ao cenário anterior a 2017, mas fazer os ajustes necessários e seguir o propósito inicial, que era tornar essa etapa final da Educação mais atraente ao aluno, reduzindo a evasão escolar. Na pandemia, destaque-se, metade dos estudantes do Ensino Médio saiu da escola para trabalhar e nem todos ainda retornaram aos bancos escolares. Além disso, mais que assiduidade, é preciso elevar o nível de aprendizado. Estão aí ao menos duas tarefas urgentes para Camilo Santana e sua equipe.