[[legacy_image_331049]] A estimativa da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC) para o faturamento de seus setores com o Carnaval, de R\$ 9 bilhões, mostra a importância das tradições culturais, das festas e do folclore de cada região para aquecer a economia de um País tão diverso como o Brasil. Se forem consideradas outras áreas impactadas pelas atividades carnavalescas, como indústria de vestuário, química (plásticos) e transporte, a injeção de recursos é mais bilionária ainda. Deve-se lembrar que os empregos gerados, mesmo que temporários, beneficiam milhões de trabalhadores de baixa e média capacitações, indicando um impressionante alcance social. Portanto, acertam os governos que investem na infraestrutura para recepcionar turistas e aumentar o valor agregado do segmento, que na prática equivale a garantir atrações e propiciar qualidade urbana para convencer o visitante a gastar mais. Não se trata de incentivar gastos públicos desenfreados com sambódromos, como verificado anos atrás no estado do Rio de Janeiro com os royalties do petróleo, centros culturais e urbanização de orlas, enquanto escolas e postos de saúde estão deteriorados e as vias públicas destruídas a cada enchente. Mas é possível desenvolver um plano de longo prazo, integrado com o setor privado, para produzir melhorias graduais para, aos poucos, uma cidade de vocação turística se tornar um importante destino. No caso do Carnaval, ocorreram importantes transformações nas últimas décadas que resultaram em investimentos da indústria hoteleira e das companhias aéreas, e consequentemente na abertura de inúmeros restaurantes e casas noturnas, com muita geração de emprego. A grande atração sempre foi o Rio de Janeiro, com Recife mantendo sua tradição, mas a Bahia investiu pesado e se tornou um grande destino não só de Carnaval, mas para o ano todo. Em Santos, há um importante esforço para manter e expandir os desfiles das escolas de samba, cujos resultados econômicos se espera que apareçam nos próximos anos. Entretanto, era costume as metrópoles, como Belo Horizonte, São Paulo, Porto Alegre e Brasília, entre tantos outras, serem esvaziadas nessa época com um êxodo em direção às praias e às regiões carnavalescas. Mas o fenômeno dos blocos, comercialmente muito bem explorados, e com a vantagem de dispensarem viagens em rodovias congestionadas, devolveram a magia do Carnaval a essas cidades. Contudo, há muito a ser feito, como propiciar mais segurança pública aos foliões. De roubos de celulares e assassinatos, a criminalidade é um tormento também nessa época do ano e um fator que prejudica a atração de mais turistas. Promessas de políticos não faltam, mas os resultados são pífios. Os diferentes segmentos econômicos precisam fazer mais pressão sobre os governos para que o Carnaval e outras tradições culturais sejam aproveitadas sem o risco dos bandidos agirem à vontade.