[[legacy_image_331728]] O Banco Central reduziu, na última quarta-feira, a taxa Selic para 11,25% com o País em um cenário esperado para este ano que seja bem melhor do que o de 2023. O que destoa, e que faz toda a diferença, são as contas públicas. O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, prevê zerar o déficit fiscal agora em 2024, depois do resultado negativo de 1,3% sobre o Produto Interno Bruto (PIB) de 2023. Se a arrecadação federal crescer bastante e a ala política do Governo Lula ceder à austeridade de Haddad, é possível que se tenha algum resultado animador - mas conseguir a estabilidade do gasto público, ninguém acredita que isso vá acontecer. O controle das contas públicas é da maior importância para o BC cumprir sua meta de inflação, de 3% neste ano. Se o governo despejar rios de dinheiro para atender as pressões do Congresso, azeitar os programas sociais em busca de popularidade e abastecer prefeituras para formar alianças eleitorais, o esforço da Autoridade Monetária será anulado. Recursos estatais estimulam rapidamente o crescimento, principalmente por meio da melhora da renda e pela geração de emprego, mas logo depois chega a fatura a ser paga. Como a União é deficitária, ela precisa tomar dinheiro da sociedade para fazer investimentos. E quando o mercado sente o descontrole, devido ao alto risco, exige juros mais altos para emprestar a uma gestão perdulária. Essa história o Brasil já conhece, que é a da inflação de mãos dadas com um Estado quebrado. As perspectivas são bem positivas em relação à tarefa do BC de conter a inflação. Os diretores da instituição e o mercado preveem estabilidade dos preços na casa dos 3% a 4% ao ano agora em 2024 e também em 2025. Outra excelente notícia foi o BC ter afirmado na reunião de quarta-feira que vai manter cortes de “mesma magnitude” nos próximos encontros, portanto, de 0,50 ponto percentual a cada 45 dias. Em dezembro, a taxa Selic poderá chegar aos 9%. Não é baixa, mas é bem inferior aos 13,75% mantidos de agosto de 2022 a junho último. Manter o ritmo de redução da taxa Selic é questão de sobrevivência para a economia brasileira e o governo deve evitar tudo que possa contrariar isso. Dessa forma, o financiamento da habitação, das empresas e do próprio setor público passa a ter uma carga menor de juros, os bancos reduzem o risco de calote e o caminho da economia tende a ser o da melhora em ritmo sustentável, não anabolizado. Planos de estímulo com recursos estatais são uma ferramenta para situações graves, como na pandemia, mas não corriqueiramente ou para obter vantagens eleitorais. Neste ano o Brasil talvez não cresça muito porque se espera algum impacto climático na agricultura. Há outros riscos, como o geopolítico pesando sobre o preço do petróleo. Entretanto, se internamente for feito o dever de casa, o sofrimento poderá ser bem menor.