[[legacy_image_325448]] Um estudo do Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getulio Vargas (Ibre-FGV), já divulgado, apontou que a participação da indústria no Produto Interno Bruto (PIB) caiu de 36% em 1985 para atuais 11%. A perda do protagonismo do setor para serviços é um fenômeno mundial, mas que no Brasil acelerou não pelas mudanças econômicas. Por aqui, a falta de competitividade abriu espaço para os importados, um quadro que reflete o custo Brasil – alta carga tributária, juros altos, instabilidade financeira, infraestrutura defasada e má formação educacional. O País ainda mantém ilhas de excelência, como o polo da Embraer no Vale do Paraíba, empresas de partes do Rio Grande do Sul e Santa Catarina e, obviamente, o mercado paulista. Entretanto, em um País com dimensões continentais e mais de 200 milhões de habitantes, a competitividade precisa estar presente nos variados tipos de negócios industriais, por todo o território nacional, não necessariamente de ponta, porém, eficientes para irrigar o Brasil com inovações, pesquisas, projetos e empregos de diferentes carreiras. Trata-se de uma diversificação, que além de propiciar empregos de melhor valor agregado, estimulando a qualidade do ensino e a arrecadação de impostos, não tem um caráter tão cíclico quanto o da agropecuária, mineração e petróleo. Essas três áreas garantiram boa parte do saldo da balança comercial do ano passado, de US\$ 98 bilhões, mas de tempos em tempos sofrem recuos acentuados das cotações internacionais, algo que o Brasil não pode controlar. Por isso, ter uma economia diversificada, não sendo exclusivamente um país do petróleo, do café ou de algum outro mineral, traz mais segurança. O atual governo retomou o discurso da política industrial, citando a neoindustrialização, o que se entende por inclusão da sustentabilidade via fontes renováveis, novas tecnologias, interação com o meio ambiente, formação educacional e competitividade. Inserir essa discussão é muito positivo para a economia brasileira, mas ainda falta partir para a prática. Conforme o jornal Valor lembrou, muito se fala em modelos de política industrial, mas persiste a prática, ou pelo menos a defesa, de ideias requentadas, como a substituição de importações via redução de impostos ou crédito subsidiado mediante barreira aos produtos estrangeiros. Entretanto, além dessas medidas resultarem em uma dependência de segmentos ou regiões de estímulos permanentes, não há garantia de eficiência e inserção das novas tecnologias. A neoindustrialização vem de um diagnóstico correto, mas permanece o risco de ser transformada em mais uma expressão da longa lista de promessas dos políticos. São Paulo, que é o que mais perde com a desindustrialização, que elimina empregos com melhores salários, precisa ficar atento a esse fenômeno e pressionar o governo por políticas de estado duradouras em busca de resultados efetivos.