[[legacy_image_204679]] Ainda que não esteja confirmado, o casosuspeito de poliomielite registrado emRorainópolis, em Roraima, é muito grave e serve de alerta parao Governo ampliar os esforços para combater a doença por meio da vacinação.Segundo a Prefeitura local, a paciente tem 14 anos e apresentouparalisia flácida aguda. Trata-se deum quadro típico da doença, caracterizado por atingir os membros inferiores e gerar flacidez muscular, conforme o Ministério da Saúde. O que chama a atenção é que a imunização é eficaz e no Brasil o vírus responsável não está em circulação desde 1990, resultado do sucesso de campanhas feitas desde os anos 1960. Clique, assine A Tribuna por apenas R\$ 1,90 e ganhe centenas de benefícios! Porém, uma série de descuidos absurdos, desdeprogramas de combate deixados em segundo plano porque os casos não eram mais registrados até a onda irresponsável de aversão a vacinas, está por trás doreaparecimento da pólio nas Américas, Ásia e África.A baixa cobertura da imunização é um fenômeno mundial e, no Brasil, a campanhanacional da vacinação contra a doença, lançada em 8 de agostoe que termina na próxima sexta-feira, tinha atingido apenas 22% do público-alvo no fim do mês passado – mais de 11 milhões de crianças não tinham sido vacinadas pelo menos até 29 de agosto.Com a recente notícia de Roraima, o Governo deveria prorrogar a campanha e fazê-la atingir as dimensões publicitárias que tinha nos anos 1980 e 1990, quando erambem mais veementes. Até o momento, apólioreapareceu em pelo menos quatro regiões do mundo. Ela é endêmica (disseminação em uma região específica) no Afeganistão e Paquistão entre crianças até 5 anos, segundo reportagem da ONU News.Como houve um surto em Malauí e um caso foi confirmado em Moçambique, aOrganização Mundial de Saúde (OMS)realizou em junho vacinações em massa nesses dois países e também em Zâmbia e Tanzânia- as quatro nações são vizinhas.O que espanta é que as cepas identificadas nessa região africana são da mesma que circulava no Paquistão em 2019, indicando o potencial de disseminação de um continente para outro. Para piorar a situação, em julho,o estado de Nova Iorque, nos EUA, confirmou um caso depólioem um homemadulto, nãovacinado,encerrando 43 anos sem identificação de transmissão em solo americano.Entre viajantes vindos do exterior, o último registro nos EUA é de 2013.Em março, sete infecções foram confirmadas em Israel e o vírus da doença foi encontrado noesgoto de Nova Iorque e de Londres. Por isso, é importante que as autoridades de saúde aproveitem este momento de registro de casos esporádicos para alertar a população sobre a importância de imunizar as crianças. Os efeitos da doença são graves e permanentes, mas evitáveis com a imunização.É possível aproveitar o engajamento da sociedade para cercar o vírus da covid-19 e levantar toda essa estrutura montada para repetir o sucesso que o País teve no fim do século passado no combate à poliomielite.