[[legacy_image_214700]] O ministro da Economia, Paulo Guedes, incomodado com estudos passados do Fundo Monetário Internacional (FMI) mais pessimistas sobre o Brasil, ironizou a situação, afirmando que o organismo sempre erra suas previsões. Sorte de Guedes ficar à vontade para criticar o FMI por suas projeções para o País, pois há algumas décadas a situação de seus antecessores na pasta era de incômoda submissão ao Fundo. Clique, assine A Tribuna por apenas R\$ 1,90 e ganhe centenas de benefícios! Entretanto, a organização tem feito análises positivas sobre as economias da América Latina. Não só o Brasil, mas outros governos da região se anteciparam com políticas monetárias mais restritivas – ao contrário das nações mais ricas e de emergentes de outros continentes. A medida principal dos BCs latino-americanos foi subir rapidamente as taxas de juros básicos. No caso do Brasil, o Banco Central aumentou a Selic de 2% ao ano, em janeiro do ano passado, para 13,75% em agosto último. O cenário não é dos melhores porque ainda há a ameaça da inflação nas economias latino-americanas. No Brasil, ela recuou para 7,17% ao ano por força da redução de impostos dos combustíveis. Excluindo esse componente, as três últimas deflações mensais não teriam ocorrido. Os alimentos estão subindo a um ritmo menor, mas a sensação quando se vai ao supermercado é de que as pesquisas de preço não refletem a realidade do consumidor. O problema é que as subidas se deram por um período longo e com uma força impressionante, enquanto os salários perderam o poder aquisitivo. Por exemplo, o leite voltou a ficar mais barato em relação aos últimos meses, mas não sobre 2021 ou começo deste ano. A antecipação da subida dos juros será vantajosa para a América Latina se suas taxas começarem a cair antes do que nos Estados Unidos e Europa. Com o crédito mais barato por aqui, haverá oportunidade para tirar investimentos de países que estarão em condições menos propícias para o crescimento. Para isso, será preciso que os governos locais realizem reformas e sejam austeros no próximo ano, não impondo a seus BCs (no Brasil ele é autônomo) uma queda forçada dos juros para gerar apoio popular imediatistas ou eleitorais. Mesmo que Guedes alfinete o FMI, o organismo revisou suas previsões, afirmando que o Brasil é a economia que mais vai crescer neste ano na América Latina, com 2,8%, lembrando que esse salto carrega injeção de dinheiro público, como benefícios sociais, antecipação do 13o da Previdência e liberação de parte do FGTS. Entretanto, com a Selic ainda alta, assim como nos outros países, e uma provável recessão mundial, o FMI diz que o Brasil crescerá apenas 1% em 2023, pelo menos à frente de Chile, Colômbia, México e Peru, com -1% em média. A Argentina tem uma inflação que poderá superar os 100%, em situação de difícil conserto, sem margem para brigar com o FMI, do qual o governo depende de seus bilhões de dólares.