[[legacy_image_198467]] A Faculdade de Direito do Largo de São Francisco realiza amanhã dois atos, às 10h e às 11h30, sendo que neste último será lida a Carta às Brasileiras e aos Brasileiros em Defesa do Estado Democrático de Direito. Trata-se de um movimento da maior importância em defesa da jovem democracia do País, colocada à prova novamente a poucas semanas das eleições em outubro. Não de trata de um desafio político entre adversários, mas pelo respeito às ideias e também ao que sociedade, por meio do voto, almeje para si. Clique, assine A Tribuna por apenas R\$ 1,90 e ganhe centenas de benefícios! Clique, assine A Tribuna por apenas R\$ 1,90 e ganhe centenas de benefícios! Disponível na internet, o movimento já atraiu 800 mil assinaturas, entre anônimos e figuras de grande participação na vida nacional, da política ao ensino, e incluindo ainda empresários e muitos outros brasileiros preocupados com sua completa liberdade de expressão e direito de votar em quem bem quiser. A atual carta se diferencia do texto de 1977, também do Largo de São Francisco, pelo momento histórico, pois naquela época havia uma ditadura que cerceava as liberdades, enquanto agora se busca preservá-las, atraindo os mais genuínos sentimentos pela democracia. Nas últimas semanas, o Governo concluiu um esforço no Legislativo para lançar benefícios sociais e reduzir os impostos dos combustíveis às vésperas das eleições. Entretanto, o presidente Jair Bolsonaro ofusca suas próprias realizações ao esticar a corda com pronunciamentos críticos ao sistema eleitoral e com defesa de teses já desmentidas sobre fraudes com as urnas, além de fazer ataques a ministros do Supremo Tribunal Federal (STF). Foi o caso da reunião com embaixadores estrangeiros, em 18 de julho, quando insistiu nas suspeitas contra o voto eletrônico. Recentemente, tem convocado seus seguidores para o 7 de setembro, parecendo uma reedição da mesma data do ano passado, quando no desfecho o ex-presidente Michel Temer intermediou carta pela distensão. Frente a pronunciamentos do tipo e à defesa, na internet, de pessoas favoráveis a ideias retrógradas e desastrosas contra a democracia e ao temor de uma radicalização, como a do petista assassinado em Foz do Iguaçu (PR), a carta da Faculdade de Direito conquistou seu espaço, atraindo nas últimas semanas tanto apoio. No último dia 2, o presidente desqualificou a carta, chamando de “cara de pau” e “sem caráter” os signatários do documento. Na segunda-feira, em reunião com banqueiros, disse que não se deve “assinar cartinha”. Em suas últimas falas, o chefe do Executivo vê esse movimento como partidário, ungido para favorecer seu adversário petista. Ele tem a liberdade para assim achar, mas na função de presidente suas responsabilidades são imensas. Este é um País com muito desemprego, inflação que tira a comida da mesa de muitos brasileiros e insegurança nas ruas, desafios que devem tomar o tempo de um governante. A disputa política e o debate público estão entre as mais saudáveis qualidades da democracia, assim como o respeito ao resultado das urnas.