[[legacy_image_153417]] O repasse da subida da taxa Selic para as linhas da casa própria pelos bancos já era esperada, mas o fato é que os novos mutuários vão sentir o peso dessa mudança no bolso. Os empresários do setor imobiliário não consideram o encarecimento do crédito habitacional um golpe no segmento, porque esse mercado já operou a taxas mais altas do que as que começaram a ser praticadas agora. Mas ainda é preciso considerar outras variáveis econômicas para identificar um impacto mais profundo na cadeia. É o caso do desemprego, que se continuar caindo de forma moderada poderá levar à recuperação da renda e trazer mais segurança para o trabalhador assumir compromissos de longo prazo. Clique, assine A Tribuna por apenas R\$ 1,90 e ganhe centenas de benefícios! Por outro lado, o Banco Central deve elevar a Selic dos atuais 10,75% ao ano para a faixa dos 12,5% neste semestre e, mesmo que a inflação caia, os juros básicos não deverão recuar no mesmo ritmo. A previsão é que a Selic continue com dois dígitos até 2023 e não haverá como o País crescer com o crédito tão caro assim. Mas se a escalada dos preços, principalmente das commodities (produtos minerais e agropecuários cotados em bolsa), for debelada, o que depende do mercado externo, haverá maior previsibilidade na economia – as empresas e os compradores de imóveis ficarão mais seguros para realizar investimentos. De acordo com a apuração do repórter Júnior Batista na edição do último domingo, na comparação deste mês com julho do ano passado, os juros do financiamento habitacional subiram em média dois pontos percentuais. Agora, as taxas variam entre 9% e 10% ao ano. Segundo o diretor regional do Sindicato da Habitação (Secovi), Carlos Meschini, o mercado já chegou a trabalhar com patamar de 12% a 13% ao ano. Há ainda um fenômeno que é até uma distorção, se considerarmos as boas regras das finanças pessoais. Muitos compradores da casa própria dão mais atenção ao tamanho da prestação e se ela cabe no bolso do que observam se os juros estão muito altos. Trata-se de um reflexo de décadas de instabilidade econômica e da bagunça que a inflação provoca na sociedade. Toma-se a decisão de comprar um imóvel porque essa oportunidade poderá não estar disponível na próxima crise. Entretanto, o setor habitacional precisa ser encarado pelo governo como estratégico. Além dos programas habitacionais e linhas de crédito realizarem o sonho da casa própria e serem fundamentais para dar estabilidade às famílias, simultaneamente o investimento na habitação faz girar vários segmentos da economia, criando muitos empregos. Na China, o ramo imobiliário é o setor de maior participação no Produto Interno Bruto (PIB). No Brasil, não há recursos para investir em moradias para a baixíssima renda e o programa intermediário, o Casa Verde e Amarela, ainda é muito acanhado para as necessidades do País. Espera-se que pelo menos a alta dos juros não prejudique o crédito habitacional ofertado pelos bancos.