[[legacy_image_328899]] O assassinato do sérvio Darko Giesler, no último dia 5, em Santos, uma história contada em detalhes na edição desta segunda-feira (22) em A Tribuna, chama a atenção pelo mistério, a morte na frente da esposa e do filho de 3 anos e por ter conexões internacionais. E é este o ponto que realmente preocupa, pois é mais um caso que mostra a ascensão e disseminação das organizações criminosas de forma simultânea pelo mundo. Popularizados por meio do cinema, esses grupos, que não são uma novidade, hoje avançam rapidamente do lado da Europa, onde há um rico mercado consumidor e países com instituições frágeis e população pobre e marginalizada para padrões europeus, especificamente nos Bálcãs (onde está a antiga Iugoslávia), e na América Latina, a região fornecedora de drogas. Esta última com a vantagem de estar colada no principal mercado, os Estados Unidos. Entretanto, o avanço das organizações criminosas cresce com muita força no Brasil, apesar das atenções agora estarem voltadas ao Equador, que se tornou refém dos cartéis gigantes da Colômbia e do México. Os grupos equatorianos se assemelham ao caso brasileiro pelo controle a partir das prisões, lembrando ainda que por aqui o formato deu tão certo que as facções que comandam São Paulo e Rio de Janeiro hoje têm rivais na disputa por terrenos do Norte ao Nordeste. Porém, o Rio impressiona pela integração do crime organizado com a política e o dia a dia dos cariocas, desde a compra do botijão de gás à cobrança de taxa para ser realizada uma obra pública, como denunciou o prefeito Eduardo Paes (PSD). Há tempos que se cobra uma reação mais firme do setor público contra o avanço dessas organizações, pois estão cada vez mais violentas, crescendo em raio de atuação e número de componentes, com a vantagem de poderem usar as novas tecnologias, tanto no controle hierárquico como para a gestação de crimes. Com essa estrutura, realizam grandes crimes para financiar outros atos mais audaciosos, e transformam em terra sem lei as periferias das grandes cidades e regiões remotas com algum tipo de atividade econômica altamente lucrativa, como o garimpo. Contra esse quadro, traz esperança a integração do procurador-geral de Justiça do Estado, Mário Sarrubbo, experiente em ações contra o crime organizado, à equipe do ministro da Justiça e Segurança Pública, Ricardo Lewandowski, que assume o cargo no dia 1º. Há o cálculo político do Palácio do Planalto de dar uma resposta mais firme contra a violência, área eleitoralmente bem explorada pela direita. A Polícia Federal tem realizado um importante trabalho, principalmente contra o tráfico de armas, e promete até março dar uma solução ao caso Marielle Franco. Entretanto, é preciso unir as forças federais com as dos estados, sem interferir nas atribuições dos governadores, traçando estratégias de caráter nacional contra essas organizações criminosas, agora com muita capilaridade pelo País e endinheiradas.