[[legacy_image_266365]] A crise da imigração na fronteira dos Estados Unidos com o México, com mais de 10 mil estrangeiros por dia tentando atravessar para o lado americano, é resultado do fim da vigência, na última quinta-feira, de normas mais rígidas de expulsão. Entretanto, esse caos tem implicações políticas em meio a xenofobia e racismo e o aumento das comunidades de ilegais espalhadas pela periferias das grandes cidades do país. Entretanto, a onda de imigrantes é um problema mundial, que é antigo, mas que avançou por questões recentes, como o empobrecimento gerado pela pandemia, especialmente sobre as economias centradas nos setores de serviços, como comércio e turismo. E também por fenômenos naturais, como terremotos, e climáticos e guerras, como Síria e Ucrânia, e assim já deve estar ocorrendo com o Sudão, que caminha para um enfrentamento civil mais demorado. Clique, assine A Tribuna por apenas R\$ 1,90 e ganhe centenas de benefícios! Países de regimes democráticos e ocidentais são os mais visados pelos imigrantes. No caso dos EUA, o fluxo migratório não é composto apenas por centro-americanos, mas brasileiros e venezuelanos, ganenses e tailandeses, entre várias origens. Na Europa, o fenômeno se repete e é até maior pela proximidade com a África do Norte, Oriente Médio e Ásia Ocidental, com a repetição de naufrágios mortais nas travessias pelo Mediterrâneo. A imigração tem um impacto político maior ainda na Europa, com o discurso xenófobo invadindo a pauta dos partidos extremistas de direita. Nos EUA, a imigração está na formação do país, mas isso não significa que a chegada de estrangeiros de diferentes continentes seja bem-vinda. Tanto que o então presidente Donald Trump adotou o Título 42, que é a norma que facilita a expulsão de legais e que perdeu efeito nesta semana. Aliás, o Governo Biden afirmou que, apesar do fim do Título 42, as regras continuam e que a imigração irregular será combatida. Além dos antigos estímulos à imigração, como guerras e fenômenos climáticos, o movimento frenético dos povos tem impulsionadores novos: a internet, com aplicativos de mensagens e redes sociais que facilitam o acesso à informação, como países mais atraentes ou pontos de travessia vulneráveis, e a sedução pelos coiotes (gestores ilegais de travessias pelas fronteiras). Há ainda as plataformas digitais de remessa de recursos internacionais, que baratearam as operações e deram até mais segurança em relação ao roubo de dinheiro em espécie. Curiosamente a imigração pode significar a solução econômica para muitos países com baixo índice de natalidade, como a Itália e a Rússia. Previsões de especialistas indicam que os EUA serão umas das poucas economias ricas com crescimento populacional devido à contínua chegada de imigrantes. O Japão, que está entre os países democráticos que mais dificultam a entrada de estrangeiros, será a potência que mais sofrerá redução populacional. A China, que é uma nação fechada, também não deve ter a imigração como uma solução.