[[legacy_image_52170]] Na última sexta-feira, o Ibovespa, índice da principal carteira de ações da bolsa, bateu seu quinto recorde seguido, superando 130 mil pontos. Os investidores encerraram a semana passada em clima de festa, bem diferente do que se vê no País, entre as famílias e nas empresas dos mais variados portes do setor de serviços. Entre estes, há uma amargura e descrença, considerando os elevados índices diários de mortes pela covid-19 e a dificuldade imensa para pagar contas, principalmente os desempregados, e, no caso dos empreendedores, sem disporem de capital para não ver seus negócios fecharem. Clique e Assine A Tribuna por apenas R\$ 1,90 e ganhe acesso completo ao Portal e dezenas de descontos em lojas, restaurantes e serviços! Entretanto, a bolsa não representa a média da economia do País, mas uma elite de empresas bem geridas e capitalizadas. Inclusive, é nas crises que muitas dessas companhias valorizam ainda mais, pois, com a derrocada das rivais, dominam mercados e se tornam monopolistas. Porém, o mercado de ações brasileiro está bem melhor do que em outras ocasiões de elevada crise ou mesmo dos períodos de robustez da renda variável. Devido à queda dos juros, ele atraiu alguns milhões de pequenos investidores, demandando um bom conhecimento de finanças pessoais e saneamento das próprias contas. Com essa migração à bolsa, muitas empresas médias abriram seu capital e, ao invés de pagarem juros aos bancos, pulverizaram seu controle via venda de ações. Dessa forma, ficaram mais transparentes e obrigadas a cumprir requisitos, com perfil saudável. No cômputo geral, isso é bom para a economia brasileira. Se esta sequência de recordes da bolsa persistir, é sinal de que o mercado prevê recuperação robusta para o País nos próximos meses. Isso porque o segmento de ações reflete menos o momento e mais o futuro. Neste ano, a alta já é de 9,33% e, se for considerado a partir de 26 de fevereiro de 2020, uma quarta-feira de cinzas, no começo da pandemia, a recuperação chega a 23%. Para efeito de comparação, quem nesse período deixou todo seu dinheiro investido na caderneta de poupança, ganhou míseros 2,26%. Não se deve ser ingênuo com a bolsa, pois o mercado de renda variável tem sua própria dinâmica e é imediatista – quer lucro logo, gerando uma pressão intensa sobre os gestores das companhias abertas. A alta tem muitas variáveis e riscos. Afinal, as contas do governo ainda são um show de horrores, apesar de não terem se deteriorado como se esperava no início do ano. Mas a necessidade de subir os juros para conter a inflação vai impactar na bolsa (parte do dinheiro do risco das ações vai para o ganho garantido dos juros), encarecer o crédito e reduzir o ímpeto de consumo. Por outro lado, a bolsa ganha um empurrão dos especuladores estrangeiros, que ingressam com seus dólares no Brasil – o real está muito barato – para faturar com a tendência de alta dos juros. Portanto, a bolsa positiva não leva necessariamente o País ao paraíso, mas sua robustez pode ser um dos bons fundamentos para a restauração da economia.