[[legacy_image_97969]] A queda de 40,91% da média móvel de mortes em Santos pela covid-19 em 14 dias é uma conquista das mais importantes registradas até agora – principalmente porque especialistas creditam o recuo ao percentual da população completamente vacinada. Entretanto, não há o que comemorar, porque a perda de vidas continua, ainda que tenha caído. Os óbitos passaram de 4,4 no último dia 15 para 2,6 no domingo. No caso santista, a cobertura vacinal é de 46,7%, enquanto o da região é de 36,3%, considerando ainda que mais moradores foram infectados, compondo uma barreira mais eficiente contra o coronavírus. Os infectologistas citam dois fatores para alertar que a luta contra a doença está longe de terminar. Um deles é que o percentual mais seguro a ser atingido é de 80% de totalmente imunizados, como ressaltou ontem em A Tribuna o médico Marcos Caseiro. Clique e Assine A Tribuna por apenas R\$ 1,90 e ganhe acesso completo ao Portal e dezenas de descontos em lojas, restaurantes e serviços! O segundo ponto é a imprevisibilidade imposta pela variante Delta, que se expandiu de forma impressionante no Rio de Janeiro. No estado, há as primeiras cidades de volta com o drama dos hospitais lotados, com disponibilidade de insumos perto do limite e com a faixa de 90% dos leitos ocupados nos maiores municípios. Além dessas duas constatações é preciso acrescentar uma terceira, ainda considerada uma hipótese, de que a persistência do coronavírus tanto aqui como em outros países se dá pela perda da efetividade das vacinas ao longo do tempo. Por isso, se fala tanto em dose de reforço. Israel, melhor exemplo mundial de combate à doença, decidiu fazer a aplicação extra em toda a população, chegando agora aos adolescentes pela terceira vez. A cobertura completa, considerando as duas doses, é de 63% – mesmo assim, o país de quase 9 milhões de habitantes registrou no dia 29 perto de 9 mil infecções em 24 horas. Os óbitos diários chegaram a 39 na mesma data, mas eram 4 em 29 de julho. A análise que tem sido feita, além da alta capacidade da variante Delta de se espalhar, é uma espécie de elevada autoconfiança. O governo reabriu o país e a máscara foi dispensada antes do que deveria. Portanto, observar o revés do principal exemplo de sucesso no combate à doença é o melhor que pode ser feito. Deve-se ressaltar que a retomada da covid-19 via Delta no Rio de Janeiro se deu poucos dias após o prefeito Eduardo Paes (PSD-RJ) garantir a volta do Réveillon e um animado Carnaval. O planejamento é necessário para o turismo se recompor, mas há também a errada impressão passada à população de que a pandemia já está derrotada e é hora de relaxar os cuidados sanitários. O grande problema no Brasil continua sendo a disputa política – o correto seria o Ministério da Saúde, como gestor do plano de imunização, se reunir rotineiramente com os governos estaduais para discutir as mudanças em um discurso único. Ao invés disso, ambos os lados fazem anúncios que podem mais confundir do que gerar confiança e alívio na população.