[[legacy_image_270045]] As mudanças climáticas são inegáveis e o avanço das energias sustentáveis segue em ritmo acelerado, mas bastou a guerra da Ucrânia para ficar claro que ainda é a era do petróleo. Prova disso é que o Oriente Médio continua como peça-chave da geopolítica e a volatilidade do barril como fator inflacionário explosivo em qualquer parte do mundo. No Brasil, a commodity também mostra sua força, causando um terremoto após a recusa do Ibama de autorizar a busca de óleo pela Petrobras na costa do Amapá. Clique, assine A Tribuna por apenas R\$ 1,90 e ganhe centenas de benefícios! O predomínio do petróleo segue por uma dificuldade de virar a chave de uma matriz energética consolidada por várias energias limpas, exigindo uma transição de equipamentos, compreensão de seu melhor funcionamento e assimilação de custos. Também há uma necessária confiança de que a matriz substituta manterá sua capacidade de abastecimento. Por exemplo, as hidrelétricas dependem do regime de chuvas e as eólicas, obviamente, dos ventos contínuos, assim como o etanol sofre as particularidades do plantio da cana, incluindo o risco do preço do açúcar ser mais atraente para o produtor. No fim das contas, a segurança energética poderá vir da oferta simultânea de matrizes. Mas o petróleo permanece profundamente inserido nas cadeias de produção, não apenas a dos combustíveis. A reciclagem e os materiais considerados verdes ainda não dispensam essa fonte não renovável e poluidora. Se por um lado a subida de seu preço disseminou inflação pelo mundo, o petróleo ajudará a contê-la. A expectativa de recessão nos países ricos já causou uma queda de 40% nos preços do barril em um ano. Mas o recuo pode ser interrompido por questão geopolítica, como algum desfecho da guerra na Ucrânia ou ataque chinês a Taiwan. No Brasil, a decisão do Ibama de vetar a pesquisa da Petrobras na Margem Equatorial gerou uma crise na base do governo. A ministra do Meio Ambiente, Marina Silva, apoiou a decisão do Ibama, mas o senador Randolfe Rodrigues deixou a Rede, legenda fundada por ela, e irritou um dos chefes do Senado, Davi Alcolumbre (União) - os dois são do Amapá. Além disso, a Comissão Mista do Congresso agiu pelo esvaziamento da pasta de Marina e a dos Povos Indígenas, de Sônia Guajajara. A primeira pode perder o controle do cadastro dos ativos ambientais nas propriedades agropecuárias, enquanto a segunda ficaria sem poder sobre demarcações de terra. Falta ainda saber a repercussão dessas decisões junto aos ativistas das duas áreas nas redes sociais. Marina concordou que seja feito um estudo amplo de toda aquela região e não apenas por bloco, um recurso criado há quase uma década e que não foi usado, até porque sua conclusão é mais demorada. É uma forma de empurrar com a barriga uma briga que o governo não quer aprofundar. Analistas acham difícil que o País não vá explorar uma região com potencial de extração de quase US\$ 1 trilhão a pouco tempo de um fim da era do petróleo