[[legacy_image_56807]] A decisão do Banco Central de aumentar os juros básicos de 3,5% ao ano para 4,25% precisa ser acompanhada com atenção e, daqui para frente, como novas altas serão aplicadas, que sejam muito bem dosadas. O BC vinha sendo alvo de críticas há alguns meses de que estaria condescendente com a inflação. Mas, se tivesse sido mais rigoroso, o impacto na economia em plena crise da pandemia pioraria os já os elevados índices de desemprego e de fechamento de empresas. Toda a vez que o BC sobe os juros, a expectativa é retirada de dinheiro da economia por meio do encarecimento do crédito, desestimulando investimentos e consumo. Dessa forma, a ideia é quebrar a tendência de remarcações de preços e trazer a inflação para dentro das metas do Conselho Monetário Nacional (CMN). Trata-se de uma tarefa difícil neste momento, pois o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) registra 8,06% em 12 meses e o CMN busca pelo menos 5,25% de IPCA por ano. Clique e Assine A Tribuna por apenas R\$ 1,90 e ganhe acesso completo ao Portal e dezenas de descontos em lojas, restaurantes e serviços! A alegação é de que a inflação se espalhou pelos diversos setores da economia com persistência. Não será fácil debelá-la. Lamenta-se muito, porque a alta da Selic se dá em um momento em que o País precisa de estímulos para crescer. Por exemplo, o setor imobiliário se mostrou um motor importante durante a pandemia, crescendo enquanto boa parte dos setores afundava. Por trás dessa expansão, taxas de juros baixas achataram as prestações da casa própria. Agora, ao mesmo tempo que os empréstimos tendem a ficar mais caros, parte dos brasileiros que represaram seus recursos com medo do futuro fica desestimulada a gastá-los devido à rentabilidade mais atraente da renda fixa. É assim que funciona a lógica do BC, contrária às aspirações da população e das empresas. Porém, o dragão da inflação é o fantasma que sempre ronda a economia brasileira, pois desarranja os preços. Se os juros elevados desestimulam a atividade econômica, a inflação destrói a estabilidade e, sem previsibilidade, não é possível planejar o futuro. Por isso, a dosagem certa do BC é da maior importância para não contaminar uma retomada ainda incipiente. Mas o BC não pode trabalhar sozinho – a autoridade monetária precisa contar com o apoio do governo e não deixar ocorrer o que se deu com Dilma Rousseff. Na época, os juros subiram para as alturas, na casa dos 14%, mas o Executivo federal manteve os gastos em ritmo acelerado. Se de um lado o BC enxugava a gordura da inflação, do outro o setor público despejava recursos por meio da transferência de renda e interferência nos preços das estatais. A previsão é que a Selic atinja 6,5% ao ano em dezembro. Até lá já será possível notar algum impacto da subida dos juros deste primeiro semestre, esperando que seja o da acomodação dos preços. Se isso ocorrer, o País poderá crescer sem solavancos, mas o vigor vai depender da calmaria externa e da realização das tão esperadas reformas.