[[legacy_image_198686]] O estudo da Agência Nacional de Transportes Aquaviários (Antaq), que relaciona o comércio on-line às causas das dificuldades da logística marítima desde o começo da pandemia, mostra a dimensão do impacto do e-commerce na economia mundial. Desde 2020, houve a falta de contêineres e os preços dos fretes dispararam, quando os lockdowns interromperam cadeias de produção e também o sistema portuário. Esse contexto caminha para uma normalização, com reveses na China devido à política de covid zero. Clique, assine A Tribuna por apenas R\$ 1,90 e ganhe centenas de benefícios! O comércio virtual já passava por um período de expansão antes de 2020, mas deu um salto avassalador na pandemia. O diretor-presidente da Associação de Terminais Portuários Privados (ATP), Murilo Barbosa, afirmou a A Tribuna que essa modalidade de consumo estimulou o uso de contêineres. O crescimento do e-commerce é global e, no caso do Brasil, entre 2020 e o ano passado, foram feitas 353 milhões compras on-line, enquanto o faturamento desse segmento cresceu 26,9% em 2021 na comparação com 2020, segundo levantamento da Neotrust. Não é só no setor portuário que o comércio on-line causou impactos. Essa modalidade transformou o varejo físico, principalmente nos EUA, onde a Amazon ameaça a liderança histórica do Walmart e tira mercado dos pequenos lojistas. No Brasil, as grandes redes físicas associaram seus negócios ao e-commerce e ganharam muito dinheiro, enfrentando agora a concorrência acirrada de portais asiáticos e do argentino Mercado Livre em uma guerra da entrega no mesmo dia da compra. Isso exige um esforço logístico fenomenal, gerando oportunidades para transportadoras e na construção de imensos galpões. Parte deles, atraídos pela redução do Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS), está instalada em Extrema, na divisa de Minas Gerais com São Paulo, ao longo da via Fernão Dias, em um dos mais rápidos processos de crescimento econômico no País. Os principais donos desses espaços são fundos imobiliários sustentados por pequenos e médios investidores da bolsa, que recebem participação nos aluguéis. Devido à inflação, ao crédito mais caro e ao desemprego elevado, assim como o físico, o varejo on-line também sente o impacto do bolso curto dos brasileiros. Mas o segmento virtual se situa como uma solução à crise por seu caráter inovador e o uso de tecnologia em larga escala. Ainda não se sabe como ficará o comércio de rua, que ainda tem uma clientela fidelizada e que valoriza tocar ou experimentar os produtos. Os grandes varejistas mantêm o comércio de rua tanto para as vendas tradicionais ou como ponto de retirada ou distribuição de mercadorias para clientes virtuais. Há ainda outras questões que preocupam, como automatização e baixa necessidade de mão de obra. A solução mais viável é capacitar os trabalhadores para as novas profissões resultantes desses processos.