[[legacy_image_255338]] Em uma região bem no centro da Paraíba, onde estão Areia de Baraúnas, Santa Luzia, São Mamede e São José do Sabugi, um empreendimento misto das energias eólica e solar levou R\$ 3,5 bilhões para aquela região antes esquecida pelo desenvolvimento. Segundo o jornal Valor, as obras geraram 3,5 mil empregos temporários e a companhia responsável, a Neoenergia, construiu 250 quilômetros de estadas e hoje paga R\$ 600 mil mensais a donos de 75 terrenos que receberam o parque energético. Este é apenas um dos exemplos de que as fontes sustentáveis vêm recebendo aportes cada vez maiores no Brasil, com reflexos benéficos para as comunidades atingidas. Por isso, o governo deveria estimular em alto grau os projetos nessa linha. Principalmente porque o presidente Lula foi eleito com um discurso de prioridade ao meio ambiente – entretanto, só se fala em petróleo. Mas ser cuidadoso com a natureza é também uma questão de sobrevivência perante os tempos de mudanças climáticas. Clique, assine A Tribuna por apenas R\$ 1,90 e ganhe centenas de benefícios! Aos poucos, os vários setores da energia se antecipam à lentidão dos governos e replicam o exemplo da Paraíba. Conforme reportagem publicada ontem em A Tribuna, o Brasil se tornou o oitavo maior do mundo em potência instalada de energia fotovoltaica (solar) do mundo, com 24 gigawatts, o equivalente a 1,7 vez a capacidade de Itaipu (14 GW). Essa colocação no ranking é espetacular porque em apenas um ano o Brasil acrescentou 10 GW, segundo a Associação Brasileira de Energia Solar Fotovoltaica (Absolar), que divulgou esses dados, que são do ano passado. Porém, considerando as dimensões continentais brasileiras e os tamanhos de sua população e economia, o desempenho nacional ainda está aquém do que deveria registrar. Os Países Baixos (Holanda), apesar de serem uma potência econômica, estão logo depois do Brasil na lista, com 22,5 GW, ressaltando que têm apenas 41 mil km2, um pouco menor do que o estado do Rio de Janeiro. Os maiores produtores, China e Estados Unidos, respectivamente, se destacam com 392 km2 e 111 km2. É possível que o salto do ano passado, de 13º no ranking de 2021 para oitavo em 2022, seja um resultado que tenha sido estimulado pela disparadada conta de luz, atraindo para o segmento solar R\$ 45,7 bilhões em investimentos. Hoje essa fonte limpa é a segunda maior geradora da matriz elétrica nacional, produzida por grandes parques, como o de São Gonçalo (PI), o maior do Brasil, com 609 megawatts – mas modesto perante o líder mundial, o indiano Bhadla, com 2.245 MW, segundo o site Portal Solar. Entretanto, também colaboram para o total nacional pequenas e médias usinas e instalações em telhados, fachadas de edifícios e terrenos urbanos. Porém, esse vigor e a disposição ao risco, pois há uma disputa com o setor hidrelétrico e outras fontes renováveis ou poluentes, precisam ser potencializados pelo planejamento central mais ambicioso, que ainda não se vê.