[[legacy_image_188176]] A derrocada de Pedro Guimarães, que há poucos dias era um executivo de estatal prestigiado no Governo, mostra que a sociedade não aceita mais o desrespeito às mulheres e que os abusos devem ser punidos ao rigor da lei. No caso do presidente da Caixa, as denúncias das funcionárias do banco ao site Metrópoles são contundentes ao ponto da demissão de Guimarães se dar 24 horas após a veiculação dos relatos de assédio sexual, aliás gravíssimos. Clique, assine A Tribuna por apenas R\$ 1,90 e ganhe centenas de benefícios! Ele foi substituído por uma das principais auxiliares do ministro da Economia, Paulo Guedes, Daniella Marques Consentino, que se comprometeu a apurar essas denúncias de assédio sexual, assim como os relatos que já eram de conhecimento da corregedoria. Como reportagens apontam queixas de que Guimarães retirava das funções de chefia, com consequente redução salarial, quem ameaçava reagir contra ele, uma forma de coibir apurações internas, a governança do banco se revelou muito frágil. E é nesse ponto que Marques deverá atuar para recuperar a imagem da instituição e resgatar a confiança dos funcionários. Apesar do comportamento deplorável, Guimarães deu resultados ao banco, desde a oferta de crédito imobiliário durante a pandemia, que teve o empurrão dos juros baixos, à digitalização dos serviços sociais por meio do Caixa Tem. O executivo também era identificado com os ideais do presidente Jair Bolsonaro, acompanhando-o em viagens a Guarujá e participando de suas lives. Segundo jornalistas de Brasília, Guimarães se oferecia como potencial substituto de Guedes e até foi aventado como vice na chapa presidencial para as próximas eleições. Com essa proximidade, o escândalo do assédio sexual trouxe muita preocupação ao comando da campanha da reeleição com a imagem da misoginia. Para piorar, o presidente não veio a público condenar o comportamento criminoso do executivo, preocupando seus aliados políticos. Para analistas, como Thaís Oyama, do portal UOL, o caso Guimarães não deve derrubar a intenção de voto no presidente porque muitas de suas apoiadoras não têm afinidade com a temática de gênero ou feminista, mas ele consolida rejeição já declarada pela maioria das eleitoras, uma dificuldade para reduzir a desvantagem em relação a Lula. As denúncias contra o ex-chefe da Caixa coincidem com uma sequência de casos de interesse das mulheres, como a agressão sofrida pela procuradora de Registro, a exposição da maternidade da atriz Klara Castanho, a interrupção da gravidez resultante de estupro de uma menina de 11 anos, a decisão da Suprema Corte americana de devolver aos estados a questão do aborto e até a indenização imposta ao presidente por ofensas à jornalista Patrícia Campos Mello. Além disso, há uma intenção veiculação de propagandas pró-candidaturas femininas. Resta aguardar até as eleições qual será o impacto nas urnas desse importante momento de reivindicações femininas.