[[legacy_image_318555]] Depois de flertar com o rebaixamento por duas temporadas, o Santos Futebol Clube sucumbiu. A derrota por 2 a 1 para o Fortaleza, na última quarta-feira, em plena Vila Belmiro, decretou a inédita queda para a Série B do Campeonato Brasileiro. Um resultado terrível, o pior da história do clube, seguido por cenas de vandalismo e violência que nada têm a ver com o espírito esportivo, mas que, infelizmente, se tornaram comuns quando um time grande cai de divisão no Brasil. O rebaixamento, que parecia improvável depois de uma reação na reta final, foi o desfecho de uma gestão desastrosa capitaneada por Andres Rueda. Apesar das boas intenções e do discurso transparente, uma raridade no segmento, Rueda abusou do direito de ser incompetente na administração do futebol. Se não entendia do assunto, como chegou a admitir publicamente, deveria ter se cercado de pessoas que o auxiliassem devidamente. Uma de suas piores apostas foi Paulo Roberto Falcão, um gênio dos gramados, mas uma nulidade fora deles. No Santos, Falcão viveu sua primeira experiência como dirigente e decepcionou, a ponto de sua saída ter melhorado o desempenho da equipe. A gestão Rueda, porém, não foi a única responsável pelo rebaixamento. Os maus negócios do Santos se sucedem há uma década pelo menos. Erros e desmandos sempre existiram, mas, de uns tempos para cá, eles foram além da conta. Somados, resultaram em dívidas, asfixia financeira e times horrorosos, para desespero do torcedor, que perde um dos seus argumentos mais valiosos ao discutir com os adversários, o de que o Santos era um dos poucos clubes que jamais haviam sido rebaixados. A missão de reerguer o clube cabe a Marcelo Teixeira. Ex-presidente com títulos e longa militância na seara esportiva, ele tem um desafio dos mais difíceis pela frente. Afinal, com o rebaixamento vem uma redução de receitas sem precedentes. Isso no momento em que o Santos deve a jogadores e funcionários e que precisa montar um time competente para buscar o acesso para a Série A. Antes disso, haverá a disputa do Campeonato Paulista, a única oportunidade que a torcida terá de ver o Santos enfrentando Corinthians, Palmeiras e São Paulo, os maiores rivais. Afinal, em função da péssima campanha no Paulista e no Brasileiro de 2023, o Santos não alcançou a classificação para a Copa do Brasil de 2024. Teixeira assume diante de um cenário apocalíptico e com pouca margem para erro. A caminhada na Série B costuma ser dura. Nos últimos anos, Vasco e Cruzeiro, outros dois gigantes do futebol nacional, tiveram de amargar mais de uma temporada fora da elite até chegarem ao acesso. Para evitar mais esse dissabor, o presidente vai precisar se cercar de gente experiente e bem-sucedida na gestão do futebol, habilitada a fazer mais com menos. A volta à Série A exige trabalho sério.