[[legacy_image_118803]] A 26ª Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas (COP26) começa com o trunfo sobre as edições anteriores de haver um nível de conscientização muito maior em relação ao seu tema. Os últimos fenômenos do clima foram pedagógicos, ocorrendo simultaneamente em pontos distintos do mundo – seca e chuvas torrenciais ou frio insuportável e calor tórrido aconteceram ao mesmo tempo, demonstrando que o planeta está, de fato, em trânsito para uma catástrofe ambiental. Mas a COP26 tem a árdua missão de partir de forma mais agressiva para a realização de suas metas. Os governos, inclusive o do Brasil, precisam assinar compromissos e imediatamente colocá-los em prática, para limitar o aumento do aquecimento do planeta em 1,5°C, conforme a meta cravada no Acordo de Paris. Clique, assine A Tribuna por apenas R\$ 1,90 e ganhe centenas de benefícios! No Brasil, a sensação é de que o País pouco avançou para fazer sua parte no combate às mudanças climáticas. Em meio à polarização na política ambiental, não há voz firme do Governo nas gestões de redução do carbono até a neutralidade em 2050. Esse é o ponto central que o secretário-geral da ONU, António Guterres, pregou na sexta-feira em sua carta para a COP26, inaugurada ontem em Glasgow. No Brasil, não há uma liderança central para acelerar o uso de fontes de energia renováveis, reduzir o uso de plástico, migrar de forma célere para os automóveis elétricos e, principalmente, parar com a devastação das florestas. Este envolvimento do Governo é fundamental não só pela questão de definir marcos regulatórios em negociação com o Congresso, mas também para estabelecer políticas de financiamento para novas energias e incentivos fiscais para estimular a produção de equipamentos. São questões necessárias, pois a transição para novas tecnologias impõe alto custo, o que pode adiar seu andamento até atingir o ganho de escala que atrai o investimento privado. Ainda falta muita conscientização. A produção de lixo é desenfreada e o uso do plástico permanece em escala desnecessária. A disponibilidade de veículos elétricos no Brasil depende da importação, com uma carga de impostos que torna esses carros viáveis apenas para a alta renda. Já a infraestrutura para dar mobilidade a viagens mais extensas é quase exclusiva das grandes metrópoles. No campo da energia, muitas famílias e empresas migram para a fonte solar para economizar na conta de luz – mesmo assim, é um começo. Já a eólica avançou bastante e se tornou uma matriz importante. Mas o Brasil, com dimensões continentais e muitos dias ensolarados, tem um potencial muito maior. Infelizmente, o governo brasileiro chega na defensiva à COP26, que vai até o próximo dia 12. O Brasil será incrivelmente pressionado no âmbito das matas, mas na mesa das negociações poderá assumir metas e programas sustentáveis, que não só seriam importantes para as futuras gerações, como mudariam essa imagem de destruição ambiental.