[[legacy_image_263059]] Importante artigo foi publicado esta semana na revista Scientific Reports, do Grupo Nature, uma das mais prestigiadas publicações científicas do mundo. O artigo, escrito por pesquisadores do campus Baixada Santista da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp-BS), trata das conclusões obtidas a partir da análise dos picos e ondas de calor e frio verificados no litoral brasileiro ao longo dos últimos 40 anos. Cinco territórios foram analisados: São Luís (MA), Natal (RN), São Mateus (ES), Rio Grande (RS) e Iguape, no Vale do Ribeira. E a conclusão é uma só: está ficando mais quente, com frequência maior e mais duradoura de extremos climáticos, especialmente nas regiões Sul e Sudeste. Clique, assine A Tribuna por apenas R\$ 1,90 e ganhe centenas de benefícios! No período analisado, a ocorrência de eventos extremos de temperatura quase dobrou em São Paulo (84%) e quase triplicou no Espírito Santo (188%). O número de eventos por ano é variável, dependendo de condições específicas como El Niño e La Niña. Porém, se for considerada a média, no Espírito Santo a taxa de aumento de eventos extremos é, em média, de 4,7% ao ano, enquanto em São Paulo é, em média, de 2,1%. Há várias decorrências a partir desses dados e não só para a Ciência como para o planejamento urbano das cidades, a definição de investimentos prioritários nos orçamentos públicos para a rubrica resiliência climática e na elaboração de um plano macro, nacional, que preveja diferenças entre as regiões do País. Essa é a beleza da Ciência quando seus resultados são plenamente aplicáveis e úteis para a sociedade. A Unifesp, enquanto universidade federal, cumpre bem o segundo eixo proposto para as instituições de ensino superior, o da pesquisa científica, braço que dá sentido ao conhecimento que se produz dentro da academia. Outras reflexões são possíveis a partir desse estudo, considerado inédito no universo da Ciência e por esse motivo aceito em revista com tamanha penetração. Uma dessas reflexões diz respeito à estrutura que as cidades têm para avaliar as mudanças climáticas. A seleção desses cinco municípios foi feita a partir da existência de dados públicos confiáveis e relativamente simples, extraídos a partir da medição das temperaturas, dia após dia, em 40 anos. Manter termômetros funcionando em pontos estratégicos é imprescindível, mas, infelizmente, medida rara por parte das administrações. Além disso, o cruzamento desses dados com regime de chuvas pode dar indicativos mais precisos sobre a iminência de tragédias como as ocorridas em fevereiro, do Litoral Norte, ou em Minas Gerais. Há, ainda, aplicações possíveis no agronegócio, na elaboração de planos e obras de resiliência urbana e na prevenção à letalidade humana, especificamente de idosos, mais sensíveis ao calor extremo. A pandemia de covid provou, em definitivo, quanto a Ciência importa para o Planeta. E continua dando mostras de como esse é um investimento essencial para o equilíbrio e a manutenção da vida.