[[legacy_image_88185]] O aumento dos juros básicos em um ponto percentual, chegando a 5,25% ao ano, conforme decidiu na quarta-feira o Banco Central, pesa contra a recuperação da economia, mas se mostra uma ferramenta inevitável para conter a onda inflacionária. Conforme as explicações do BC, a aceleração do ritmo da subida da taxa Selic, de 0,75 ponto percentual nas reuniões anteriores para um ponto nesta última, se deve a novas pressões sobre os preços, como o efeito das geadas na produção agrícola do Sul e Sudeste e da seca nos reservatórios encarecendo a energia. Além disso, alertou o BC, mais um fator se aproxima, desta vez nos serviços, que devem ficar mais salgados à medida que a reabertura da economia se desenrole, girando confirme exija a demanda reprimida. Paralelamente, há a possibilidade da variante Delta provocar mais problemas na economia, retardando a normalização do dia a dia da atividade econômica com muita incerteza. Clique e Assine A Tribuna por apenas R\$ 1,90 e ganhe acesso completo ao Portal e dezenas de descontos em lojas, restaurantes e serviços! Por outro lado, o patamar da taxa Selic, ainda que supere os 7% ao ano em dezembro, segundo as previsões dos economistas, continuará baixo em relação ao pico verificado no Governo Dilma, de 14,25%, e ao nível atual de alguns países emergentes, com o BC ainda com margem para agir em caso de mais dificuldades para reverter o aumento dos preços. Por exemplo, é possível que o petróleo mantenha sua escalada de preços e que as commodities alimentícias também se valorizem ainda mais. Nas indústrias, a falta de componentes já distorce os custos e encarece o produto final ao consumidor. Portanto, com pressões por todos os lados e uma expectativa de melhora da economia que força a demanda, percebe-se que o papel da Autoridade Monetária não será dos mais fáceis. Há também o impacto imediato no setor financeiro, com os investidores retirando recursos da bolsa, o que é ruim para as várias empresas que buscam capitais no mercado aberto ao invés de recorrerem aos bancos. Sob o aspecto do investidor pessoa física, os juros mais atraentes ajudam a política do BC de enxugar dinheiro da economia. Entretanto, se essa condição avançar pelo próximo ano, com taxas altas, com certeza isso vai reduzir o ímpeto da retomada. Dessa forma, essa fase de ascensão da Selic não pode ser prolongada. Para que a ação do BC seja eficiente e curta, o governo terá que colaborar na outra ponta sem fazer gastos desnecessários. A injeção de recursos públicos na economia pode reduzir os efeitos da estratégia do BC, a exemplo do que também prolongou a crise na gestão de Dilma. Por isso, o incremento de programas sociais precisa ser pontual e para os públicos mais necessitados. Sem guinadas de cunho eleitoreiro, que comprometam a austeridade e passem o recado de que o teto de gastos será desrespeitado ou burlado por votações acertadas com o Centrão. Os passos dados de agora até dezembro serão essenciais para moldar o País para o próximo ano.