[[legacy_image_186686]] As 3 mil demissões pelas startups no País em 2022, segundo balanço do site especializado em contratação na área de tecnologia Layoffsbrasil, é um reflexo da subida dos juros no Brasil e nos Estados Unidos e também de uma economia em rotação muito fraca. Empresas como QuintoAndar (imobiliária), iFood (delivery), Kavak (comércio de veículos), Ebanx (serviços financeiros), Shopee (varejista) e Mercado Bitcoin (corretora) cortaram dezenas e até centenas de funcionários nos últimos meses. Clique, assine A Tribuna por apenas R\$ 1,90 e ganhe centenas de benefícios! O principal motivo é a falta de capital em grandes quantias, necessário para que esses negócios possam crescer rapidamente sem dar lucro no curto prazo, mas no médio e longo, como nos líderes desse segmento, que são Google, Facebook e Amazon. Além do impacto no mercado de trabalho, essas demissões são o primeiro revés que a geração até os 35 anos sofre, considerando apenas as carreiras de tecnologia, hoje o sonho dos jovens pelos bons salários. Há ainda outro efeito ruim, que é adiar a entrada de novos recursos tecnológicos nas empresas convencionais. Está errado quem considera as startups uma aventura. Aliás, são vistas pelas grandes companhias que desafiam, como bancos, lojistas físicos, indústrias e o agro, como disruptivas. Quebram os paradigmas já sacramentados do mundo corporativo e impõem processos de produção e serviços inovadores digitalizados a custos baixos, importantes para dar ganho de produtividade à economia brasileira. Esses negócios contavam com um capital abundante que secou no mundo todo. Com a desvalorização agressiva das bolsas americanas, os investimentos de altíssimo risco nas startups se tornaram muito mais seletivos. Gigantes como o japonês Softbank reduziram os aportes nos novos negócios. Os juros mais altos encareceram o crédito para investir e a queda da cotação das ações da área de tecnologia (a expectativa de alta atrai investidores sem interesse no negócio para vender as ações após a subida) afugentaram os capitais. Há outros problemas adicionais, como petróleo mais caro, impacto da guerra da Ucrânia nos preços dos alimentos e a inflação mundial, reflexo da injeção de dinheiro público para manter as economias durante a pandemia. São fatores que levam agora os economistas ao quase consenso de que haverá recessão no Ocidente e desaceleração na Ásia. No caso brasileiro, a inflação já retraiu o consumo e os juros, um dos mais altos do mundo, dificultaram o crédito e aumentaram a inadimplência. Essa combinação derrubou as ações das varejistas entre 70% e 90%, como Magazine Luiza, Americanas e Via Varejo. Outro efeito ruim daqui para frente, tanto no Brasil como no exterior, seria reduzir os investimentos em tecnologias mais sustentáveis, que são fundamentais para combater as mudanças climáticas. Os avanços são inevitáveis, mas o momento parece impor uma pausa e ainda não se sabe se ela será breve ou mais demorada.