[[legacy_image_268286]] A decisão do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama), que vetou poço de busca de óleo da Petrobras na foz do Amazonas, gerou grandes atritos entre a estatal, ambientalistas e políticos. Nesse último grupo, o senador Randolfe Rodrigues (AP) deixou o Rede, da ministra do Meio Ambiente, Marina Silva. Aliás, o nome dela faz relembrar sua luta contra a Usina de Belo Monte, no Pará, que saiu do papel por força da então chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff. Marina acabou saindo do governo e foi se reaproximar de Lula só recentemente, o que impôs atenção redobrada do Palácio do Planalto nesse caso. Na semana passada, antes do Ibama tomar sua posição, Marina disse que o órgão ambiental teria liberdade para se decidir. Investir ou não na foz do Amazonas exigirá uma posição política, que terá que ser tomada por Lula. Ele acaba de afirmar ao premiê da Austrália, no G7 no Japão, que a proteção ao meio ambiente é uma prioridade do governo. O presidente também tenta atrair recursos bilionários para o Fundo da Amazônia. Portanto, o investimento da Petrobras, se essa for a decisão, precisará estar muito bem fundamentado em relação a impactos na natureza. Mas o ganho econômico para o País, caso a Petrobras invista na chamada Margem Equatorial, pode chegar a mais de US\$ 1 trilhão, considerando a reserva estimada de 14 bilhões de barris para o trecho da foz. A Margem Equatorial vai do litoral do Amapá ao Rio Grande do Norte, onde também há polêmica, pois se aproxima de Fernando de Noronha. Toda essa faixa é vista como imensa oportunidade pela Petrobras, cuja produção hoje está 75% centrada no pré-sal de Santos. No caso da foz, a expectativa de encontrar – e muito – petróleo se deve ao que já foi achado pela Venezuela e a Guiana, que passou a explorar sua costa em 2019 e desde então seu PIB cresce 20%, 50%, 85% ao ano, o que varia conforme as reportagens. O Ministério de Minas e Energia lembrou que a negativa do Ibama atingiu só o pedido da estatal para achar petróleo no bloco FZA- M-59, antes de explorar de fato a costa do Amapá. Assim, o caso não está encerrado – a própria Petrobras afirmou que vai recorrer administrativamente ao Ibama, que alega riscos à flora e fauna em caso de acidente. O FZA-M-59 fica em águas profundas do Amapá, próximo da fronteira com a Guiana Francesa e não no encontro das águas do rio com o oceano. As ambições da estatal são elevadas. Segundo analistas da Bolsa, a petrolífera já entrou em fase inédita de muitos ganhos com o avanço do pré-sal, cujos lucros não seriam reflexo apenas de acertos de gestão ou de distribuição abusiva de dividendos, mas do faturamento com a Bacia de Santos. Entretanto, se trata de uma região que vai se exaurir e, considerando que a era do petróleo tem poucas décadas, é esperado que a empresa não desista de novas áreas de grande potencial.