[[legacy_image_264995]] Na quarta-feira, o Banco Central (BC) manteve a taxa Selic em 13,75% ao ano, permanecendo dúbio sobre suas próximas decisões - poderá amenizá-las se a inflação se comportar e se aproximar da meta de IPCA (de 3,25% ao ano com tolerância de 1,5 ponto percentual para cima ou para baixo) ou apertá-las em caso de aceleração dos preços. O IPCA está hoje em 4,65% ao ano, um patamar que não é confiável, pois o governo sinaliza a todo momento que quer acelerar a economia (o que traz risco de inflação). Já o PT ainda não digeriu a regra fiscal que o ministro Fernando Haddad tenta passar no Congresso. Esse plano é um limitador dos gastos públicos e os petistas temem que a austeridade deixe o presidente Lula impopular, abrindo espaço à oposição. Aliás, na semana passada, Lula voltou a criticar o BC pelos juros altos, uma pressão aceitável, até porque a Selic está muito elevada mesmo, o que fragiliza a economia. Porém, o problema está na sinalização que o governo passa para os agentes econômicos: a da frouxidão. Isso equivale a transmitir insegurança às empresas e ao consumidor, o que é muito grave. O risco é haver uma sensação de que o Governo Federal está displicente e, por exemplo, as indústrias e os supermercados acelerem remarcações de preços, porque acham que não haverá freio contra a inflação. Clique, assine A Tribuna por apenas R\$ 1,90 e ganhe centenas de benefícios! Trata-se de um fenômeno bem conhecido pelo País desde os anos 1980, que a custo bem acentuado foi combatido com planos econômicos desmedidos e fracassados, com resultado efetivo apenas com o Plano Real, no Governo Fernando Henrique Cardoso. Apesar de não ser perfeita, a política dos juros altos ainda é a forma mais eficiente de disciplinar as relações dos brasileiros com o dinheiro. No caso da atual gestão do Banco Central, conduzido pelo presidente Roberto Campos Neto, sabe-se que houve um exagero na manutenção demorada da taxa Selic em níveis muito baixos, entre 5% em outubro de 2019 e 5,25% em setembro de 2021 (2% de setembro de 2020 a março de 2021). Depois, o BC optou por juros de dois dígitos desde fevereiro do ano passado até agora. Antes, a pandemia anulou o crescimento, o que de uma forma justificava os juros baixos. Em seguida, a inflação disparou em boa parte pela influência externa (guerra da Ucrânia encarecendo petróleo e alimentos) e as indústrias fechadas na pandemia. O problema não foi de erro de estratégia – subir juros para combater a inflação –, mas de dosagem – a taxa poderia ter sido menor e com o mesmo resultado de segurar os preços, sem abater a economia como agora. Contudo, o governo precisa ser cuidadoso e não se render à pressão por resultados de curtíssimo prazo, um fenômeno que vem da cobrança instantânea via redes sociais. Atacar o BC e afrouxar as metas de inflação, isso pode trazer o efeito contrário, gerando a impressão de que a subida de preços é tolerável. O Brasil já passou por isso antes, pagando muito caro.