[[legacy_image_299235]] Dentro de duas semanas, o Governo Federal vai reeditar o Rota 2030, programa voltado ao setor automobilístico. Até lá, boa parte do que está na mesa do vice-presidente e ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Geraldo Alckmin, poderá mudar. Pelo nome que será adotado, conforme o jornal Valor – Mobilidade Verde e Inovação –, o foco será o do impacto ambiental. Parte da produção nacional faz lobby por mais Imposto de Importação sobre os carros elétricos, protegendo a incipiente fabricação local, mas a pasta despistou, alegando que isso não é função do ministério de Alckmin, mas da Câmara de Comércio Exterior (Camex). Se o novo programa vai efetivamente estimular a produção de baixo impacto ambiental, será um importante avanço, algo que se cobrava dos últimos governos. Apesar de suas dimensões continentais e grande mercado consumidor, o Brasil tem hoje uma das políticas industriais do setor mais fracas em termos de sustentabilidade. Enquanto os grandes avanços em pesquisa foram dados nos Estados Unidos, Europa, Japão e Coreia do Sul – entende-se, pois são os mercados mais evoluídos e ricos –, a China inunda o mundo com carros elétricos, enquanto internamente seu consumo vê um marasmo e não se sabe se voltará a crescer com força. No que foi adiantado pelo Valor, o governo não pretende estimular o abandono do motor a combustíveis fósseis em benefício do elétrico, mas “descarbonizar” o mercado. O que se entende como transição lenta de tecnologia, talvez com o Poder Público admitindo os próprios entraves que provoca, como altíssima tributação que encarece o produto final e retarda a chegada de novidades e, por fim, desestimula a classe média a fazer upgrade de seu modelo, ainda que isso tenha implicações ambientais. No Brasil, o etanol nos postos de gasolina garante vantagens de sustentabilidade. Alguns analistas acham que o País poderá avançar por um modelo sustentável com carros híbridos, com álcool e eletricidade. Na prática, trata-se de uma nova fase do Rota 2030, lançado em 2019 – aliás, como os governos adoram trocar nomes de programas para deixar sua marca eleitoral. O Mobilidade Verde e Inovação vai incluir não só carros, mas também caminhões, ônibus, motos e até triciclos. Haverá uma espécie de etiquetagem de modelo indicando o cálculo de emissão de gases desde a extração do petróleo ou da fazenda (no motor a etanol) até o consumo nas ruas e estradas, considerando ainda a capacidade de reciclagem de todos os componentes do veículo, com pontuação. O último Rota 2030 teve incentivos com redução do Imposto de Importação. Para agora, discute-se “outra forma de compensação financeira”. O suspense se deve à reforma tributária, que vai diluir o tributo no Imposto sobre Valor Agregado (IVA). Como o nome diz, espera-se programa que estimule inovação, geração de empregos dentro do País e sustentabilidade.