O brasileiro vai às urnas hoje com um País ainda muito dividido, em uma eleição estranhíssima. Parte disso se deve a uma campanha digitalizada, sem o calor das ruas de pouco tempo atrás. Apesar das inúmeras ferramentas para a discussão das ideias via redes sociais e aplicativos de mensagens, houve uma indisposição pelos debates. Se antes não participar do confronto televisivo parecia uma ofensa ao eleitor, nesta disputa se ausentar virou uma saída até elogiada. Para piorar, o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) teve sua atribuição de fiscalizar as campanhas invadida por ministros do Supremo Tribunal Federal (STF), ao mesmo tempo em que inviabilizou o debate da TV Globo, cancelado na última quinta-feira. Na sexta-feira, os Estados Unidos fecharam seus serviços diplomáticos no Brasil, alegando insegurança, uma iniciativa que levantou suspeitas de interferência política, péssima para as relações de confiança entre os dois países. Clique aqui para seguir agora o canal de A Tribuna no WhatsApp! Apesar das várias opções para o eleitor para presidente da República, mais uma vez o eleitorado está dividido entre duas correntes inimigas, com Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o senador Flávio Bolsonaro (PL). Ter dois favoritos não é nada incomum, mas o quadro que se repete é o da polarização, com o qual os oponentes utilizam mais ataques do que confronto de propostas, com suas torcidas propagando trechos de vídeos e falas que não explicam a fundo o que se propõe. Não se sabe detalhadamente quais são os planos de ambos os candidatos para o déficit público, o envelhecimento da população, o financiamento da Previdência Social e como reduzir a violência nas ruas e o avanço das organizações criminosas. Se divulgaram algumas de suas iniciativas, o alcance foi reduzido, pois o algoritmo das redes sociais tende a manter os iguais em suas bolhas, e assim não se conhece como pensa quem está do outro lado. Depois de campanhas tão agressivas e ao mesmo tempo superficiais, é necessário transmitir ao eleitor a esperança de escolher nomes dispostos a enfrentar a disfunção do STF e os escândalos financeiros e políticos. E ainda aperfeiçoar as regras do próprio sistema eleitoral, combatendo abusos com os recursos públicos que hoje irrigam o sistema partidário. Isso não será feito totalmente de uma legislatura para outra e com a troca ou reeleição no Executivo, mas é preciso retomar a crença de que o saneamento e melhorias na política podem ser realizados continuamente ao longo dos anos. O brasileiro deve manter sua obstinação por um país melhor. Dificuldades persistem, porém, o Brasil hoje possui petróleo, terras-raras e outros minerais críticos, uma imensa produção agropecuária e expansão de novas energias para financiar seu desenvolvimento. O País conseguiu levar os sistemas de saúde e de educação por todo o território nacional, mas falta transformá-los com mais qualidade, condições para que todos os brasileiros possam progredir, derrotando a desigualdade social.