[[legacy_image_256946]] A morte da professora Elisabeth Tenreiro, de 71 anos, atacada a faca por um aluno de 13 anos na última segunda-feira, é o registro de mais uma violência desmedida nas escolas, mas que infelizmente não é inédita. Conforme o levantamento de casos de ataques a unidades de ensino, geralmente por adolescentes que nelas estudam, publicado na edição de terça-feira de A Tribuna, desde 2002 pelo menos 13 atos já foram praticados no País (incluindo uma creche em Santa Catarina). Clique, assine A Tribuna por apenas R\$ 1,90 e ganhe centenas de benefícios! As idades dos agressores variam dos 10 aos 25 anos, algumas vezes com arma de fogo de um dos pais agente de segurança, e sob alegação de que foi uma vingança por bullying. Em duas ocasiões, os criminosos se mataram e em outros utilizaram objetos ou símbolos de referência ao nazismo. Desta lista, quatro ataques se deram em São Paulo, dois na Bahia e um no Ceará, Espírito Santo, Santa Catarina, Paraná, Goiás, Bahia e Rio de Janeiro. Neste último estado, ocorreu o mais grave, o de Realengo, onde uma escola foi invadida por um ex-aluno de 23 anos, que assassinou 12 estudantes dos 13 ao 15 anos. O saldo de mortes desses 13 massacres é assustador, com 25 alunos, sete professores ou funcionários e três bebês, além de um parente de um dos agressores no caso de Suzano, em 2019. O que impressiona é que coincidentemente na segunda-feira também houve um ataque em escola de Nashville, nos Estados Unidos, com três crianças e três adultos mortos por um atiradora, que morreu em confronto com policiais. Desde janeiro, os EUA registraram 30 casos com armas de fogo em unidades de ensino, com oito vítimas fatais. O balanço americano merece ser relatado porque esse tipo de violência é uma marca do país. Entretanto, crimes do tipo também são registrados em outros países, como Alemanha e Reino Unido. Há muitas teorias e estudos, sendo nos EUA a de que as armas são amplamente difundidas e comercializadas. Esta é uma polêmica muito grande, com muita discussão saindo da linha do bom senso e do que realmente pode ser feito. No Brasil, os especialistas dizem que infelizmente esses casos devem se repetir. O que é inaceitável, pois podem chegar a um ponto de se tornarem rotineiros ou não chocarem mais, tal como o da Escola Thomázia Montoro, na segunda-feira, de Realengo ou de Suzano. É óbvio que o aparato da segurança nas escolas precisa ser reforçado. Aliás, a violência no País atinge todos os tipos de prédios públicos e privados, mas no caso das unidades de ensino há o efeito surpresa da agressão poder ser praticada por crianças (um dos casos foi realizado por um aluno de 10 anos em 2011 em São Caetano do Sul) e adolescentes. Também é preciso evitar a invasão por ex-alunos ou mesmo assassinos sem relação com a instituição. Tudo isso significa menos recursos e servidores voltados à atividade de ensinar, o que é uma pena. Mas é questão de sobrevivência redobrar a atenção.