[[legacy_image_169703]] O presidente Jair Bolsonaro oficializou ontem o nome de Victor Godoy Veiga como ministro da Educação efetivo, cargo que já vinha ocupando de forma interina desde 30 de março, quando o então ministro Milton Ribeiro foi afastado por suposto envolvimento em desvios de verbas para cidades comandadas por pastores evangélicos. A denúncia está em andamento e Milton Ribeiro deve ser ouvido. Clique, assine A Tribuna por apenas R\$ 1,90 e ganhe centenas de benefícios! Victor Godoy é formado em Redes de Comunicação de Dados pela UnB e pós-graduado pela Escola Superior de Guerra. É servidor de carreira e atuou na Controladoria-Geral da União desde 2004, até virar secretário-executivo do Ministério da Educação, em julho de 2020, quando Milton Ribeiro virou ministro. Godoy tem bom trânsito no MEC e a expectativa é a de que conduzirá a pasta seguindo os mesmos preceitos de seu antecessor. Não há como falar em Ministério da Educação sem historiar: este é o quinto indicado para o cargo, o que torna o MEC um dos espaços com maior troca desde que Jair Bolsonaro assumiu. Primeiro foi Ricardo Vélez Rodríguez, que teve uma gestão de apenas três meses, também marcada por polêmicas. Depois foi a vez de Abraham Weintraub, que saiu em junho de 2020 depois de várias polêmicas criadas com frases de efeito e agressões aos ministros do STF. Seguiu-se com Carlos Decotelli, que ficou apenas três dias e saiu depois de vir à tona irregularidades em seu currículo. Milton Ribeiro foi o mais longevo dos ministros da pasta. Se Victor Godoy quiser ater-se apenas à pauta educacional e fugir das polêmicas criadas por seus antecessores, já terá agenda cheia até o final do ano, pelo menos, ou por mais quatro anos, caso o presidente seja reeleito e o mantenha no cargo. Os dois anos de pandemia recrudesceram um cenário da educação brasileira que já desafiada a União, estados e municípios. O Plano Nacional de Educação previa, por exemplo, que crianças de 0 a 3 anos de idade deveriam ter acesso a cresces e escolas. Em 2020, apenas 23,5 desse público havia sido atendido. Segundo a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílio (Pnad) Contínua Educação de 2019, do IBGE, são 11 milhões de brasileiros analfabetos, mas o dado que mais preocupa é o que se refere ao analfabeto funcional, aquele que sabe ler e escrever, mas não consegue interpretar textos ou fazer operações matemáticas. Há uma estimativa de que até 29% da população brasileira seja analfabeta funcional. Com a pandemia, a evasão escolar deu um salto: a quantidade de alunos, com idades entre 6 e 17 anos, que abandonaram as instituições de ensino foi de 1,38 milhão, o que representa 3,8% dos estudantes. A taxa é superior à média nacional de 2019, quando ficou em 2%, segundo dados da Pnad. Como se vê, não faltam desafios ao novo titular do MEC. Espera-se que suas ações caminhem no sentido de resolvê-los ou, minimamente, mitigá-los.