[[legacy_image_280552]] A deflação de 0,08% de junho pelo Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) completa uma série de dados e decisões políticas que formam uma base para que o País possa ter um crescimento sustentável nos próximos anos. A continuidade desse ambiente positivo depende do próprio fôlego da economia, que tenta se recompor da década passada, uma das piores da história recente do País, e dos impactos da pandemia, e ainda da intensidade da recessão que se prevê para os países ricos. Mas o desempenho brasileiro também exige esforço mais assertivo do governo, que no começo patinou com ideias ultrapassadas e nada urgentes para o País, como revisar decisões já tomadas pelo Congresso. Porém, o mercado se surpreendeu com o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, que se revelou pragmático e está conseguindo entregar suas metas – aprovar medidas econômicas essenciais para o País avançar e para controlar o discurso de campanha eleitoral, fortemente baseado em gasto público. Haddad foi uma aposta do presidente Lula que destoou da ala dura do PT, que pressiona por resultados de curto prazo para reverter em votos. O IPCA do mês passado indicou queda de preços dos alimentos e transportes, apesar dos custos de serviços ainda estarem pressionados. Mas já estão consolidadas as condições para o Banco Central começar a reduzir os juros a partir de agosto. Desta forma, o crédito passa a ficar mais barato, irrigando o consumo e os investimentos. O BC tende a fazer um corte modestíssimo de 0,25 ou 0,50 ponto percentual, o que é muito pouco. Porém, deverá ser o início de um processo longo de recuo da Selic, o que dá previsibilidade para a sociedade. Inflação controlada e a queda da Selic se somam a outras boas notícias, que ainda dependem de desfecho no Congresso – o arcabouço fiscal e a reforma tributária. O primeiro impõe limites à gastança pública, reduzindo a expansão da dívida federal. Quando a União toma menos dinheiro emprestado da sociedade, os juros passam a cair, refletindo numa economia saudável. Com a reforma tributária, o impacto não será imediato, até porque o projeto prevê transição do modelo atual para um mais moderno até o começo da próxima década. Mas haverá mais confiança dos cidadãos e das empresas para seus planos de longo prazo com um sistema tributária modernizado. Por último, a balança comercial fechou o semestre passado com um impressionante saldo de US\$ 45 bilhões, apesar dos preços dos produtos terem caído 15%. A recessão nos países ricos deve manter as cotações das mercadorias em baixa, mas as previsões são de exportações ainda muito fortes. Assim, o dólar não terá pressões para subir, exceto por motivos externos. Com o petróleo também desvalorizado, não há expectativas de volta da inflação. Basta o governo fazer o dever de casa, acelerando com medidas pontuais para estimular a construção, indústria e serviços.