[[legacy_image_194569]] Poucos meses após a covid-19 começar a se espalhar pelo mundo em 2020, cientistas afirmaram que pandemias seriam mais frequentes devido, entre outros motivos, à urbanização e maior interferência no meio ambiente. O caso da varíola dos macacos pode ser o primeiro exemplo concreto dessa constatação, mas ressaltando que os humanos não foram infectados por esses animais – o vírus apenas foi achado primeiro neles. Clique, assine A Tribuna por apenas R\$ 1,90 e ganhe centenas de benefícios! De qualquer forma, a Organização Mundial da Saúde (OMS) decretou a varíola dos macacos uma emergência global de saúde pública, condição técnica para atrair mais recursos, haver cooperação por vacinação, identificar os casos e cercar a transmissão. Essa última tarefa é das mais difíceis. A varíola dos macacos já era endêmica (disseminação de uma doença em uma região específica) em países da África, quando, em 7 de maio, um infectado foi identificado na Inglaterra e depois se descobriu que ele tinha estado na Nigéria. Agora, a infecção já está em 75 países, com 16 mil casos. No Brasil, são mais de 690 registros, conforme balanço do Ministério da Saúde divulgado na última sexta-feira. São Paulo é o epicentro da doença no País, com cerca de 590 notificações – incluindo três na Baixada Santista, uma de Itanhaém e duas de Praia Grande. A confirmação da presença da doença na região aumenta a responsabilidade das autoridades sanitárias locais e estaduais para apontar as melhores medidas para atender os infectados, informar a população e orientar os profissionais de saúde sobre como agir corretamente. A experiência com a covid-19 ajudará os governos e a sociedade a traçar um enfrentamento mais eficiente – pelo menos é o que se espera. Nesse momento, os infectologistas divergem se a varíola dos macacos já é uma pandemia, tal como a covid-19 (quando uma doença se espalha simultaneamente pelos países). O ex-presidente da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), Gonzalo Vecina Neto, acha que a transmissão ainda precisa se tornar mais “forte” e que, por enquanto, a varíola dos macacos tem taxas de infectividade e mortalidade baixas. A grande vantagem é que já há uma vacina, o que não se tinha no começo da covid-19. O problema é que a capacidade de produção, centrada em um laboratório, é limitada, enquanto vários países, o Brasil entre eles, afirmaram que pretendem investir em imunização. A decretação de emergência mundial facilita a união de esforços para massificar a produção do imunizante. Infectologistas e autoridades de saúde defendem vacinar primeiro os homens que fazem sexo com homens, que correspondem a 98% dos casos no mundo. Ainda não se sabe se a transmissão é sexual – o que está confirmado é a contaminação por objetos compartilhados (toalhas e roupas de cama) e contato com gotículas e lesões da pele. Por isso, campanhas de conscientização serão muito importantes daqui para frente.